Israel classificou nesta sagunda-feira de manobra política cínica e infundada a decisão do juiz espanhol Fernando Andreu de manter sua investigação por crimes contra a humanidade contra os supostos responsáveis israelenses por um bombardeio a Gaza em 2002.

"A instrução é claramente uma manobra política cínica e infundada", declarou à AFP Yigal Palmor, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

"Não há provas que sustentem essas alegações. O sistema judicial espanhol deveria suspender a causa", acrescentou o porta-voz considerando-a "totalmente injustificada".

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, indicou que intercederia ante o governo espanhol. "Tenho a intenção de contatar os ministros espanhóis de Assuntos Exteriores e da Defesa, e, caso seja necessário, o presidente do Governo, para que a causa seja anulada", declarou.

O juiz espanhol Fernando Andreu decidiu nesta segunda-feira, contra a opinião da procuradoria, prosseguir com a investigação de denúncias de crimes contra a humanidade contra Israel por um bombardeio em Gaza em 2002.

A Audiência Nacional, principal instância penal espanhola, pediu em 2 de abril o arquivamento provisório do caso, alegando que os fatos denunciados já haviam sido motivo de investigações em Israel.

O juiz Andreu decidiu não anteder às instruções por considerar que a justiça israelense não investigou os fatos e que, neste caso, a justiça espanhola continuaria sendo competente.

A investigação espanhola se baseia em uma acusação feita pelo Centro Palestino para os Direitos Humanos depois de um bombardeio que matou um dirigente do Hamas, Salah Chehadeh, e 14 civis palestinos, incluindo crianças, no dia 22 de julho de 2002.

Outros 150 palestinos ficaram feridos no ataque, que culminou com a a explosão de uma bomba de uma tonelada, lançada por um F-16 israelense em Gaza, sobre uma casa do bairro Al-Daraj.

A causa tem como alvos o ex-ministro israelense da Defesa Benjamin Ben-Eliezer e outros seis altos comandantes militares israelenses.

A abertura desta investigação havia provocado, no final de janeiro, o descontentamento de Israel e uma situação desconfortável para o governo espanhol, que pretende desempenhar um papel diplomático ativo em favor da paz no Oriente Médio.

Desde 2005, a justiça espanhola reconhece para si uma competência universal para investigar crimes contra a humanidade, genocídios e torturas cometidas no mundo, mesmo que os criminosos ou vítimas não sejam espanhóis.

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