Israel define condição-chave para cessar-fogo em Gaza

JERUSALÉM - Israel definiu nesta terça-feira sua condição de trégua na Faixa de Gaza, dizendo que não iria concordar com um cessar-fogo a menos que inclua medidas para evitar que o Hamas se rearme. Prevenir uma reconstrução das armas do Hamas é o princípio necessário para qualquer medida de trégua. Essa é a questão vital, disse Mark Regev, porta-voz do primeiro-ministro israelense Ehud Olmert.

Redação com agências internacionais |

Regev disse que esta foi a mensagem de Olmert durante encontro com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, na segunda-feira. Sarkozy pediu a realização de uma reunião com autoridades israelenses e palestinas para um rápido cessar-fogo em Gaza.

Regev disse que o Hamas, que contrabandeia armas para a Faixa de Gaza através de túneis na região de fronteira com o Egito, usou o cessar-fogo de seis meses atrás estabelecido pelo Cairo para dobrar o alcance de seus foguetes de 20 para 40 quilômetros.

"Sob nenhuma circunstância vamos concordar com uma nova trégua que irá permitir ao Hamas aumentar o alcance de seus foguetes para 60 quilômetros e então teremos foguetes caindo nos arredores de Tel Aviv", disse Regev.


Sarkozy se encontra com Ehud Olmert em busca de um cessar-fogo / AP

Israel, cujos líderes disputam uma eleição parlamentar em 10 de fevereiro, deixou claro que sua prioridade na ofensiva em Gaza é garantir a segurança de seus cidadãos. Hamas exigiu o fim do bloqueio de Israel na Faixa de Gaza como parte de qualquer medida de cessar-fogo.

Autoridades israelenses disseram que em vez da presença de observadores internacionais para monitorarem uma trégua futura, Israel quer uma missão internacional na fronteira Egito-Gaza para evitar que o Hamas recrie uma rede de túneis para o contrabando de armas.

Ofensiva israelense

O Exército de Israel anunciou que matou 130 combatentes do Hamas desde o início da ofensiva terrestre, iniciada sábado à noite.

"Durante os últimos dois dias, pelo menos 130 terroristas do Hamas morreram em combates com o Exército na Faixa de Gaza", afirma um comunicado militar.

Milhares de soldados israelenses entraram no sábado na Faixa de Gaza, no oitavo dia da ofensiva contra o Hamas, o movimento radical islâmico que controla o território palestino.

Fontes médicas palestinas, por outro lado, dizem que cinco civis palestinos foram mortos na manhã desta terça-feira por um tanque israelense que disparou contra a localidade de Deir al Balah, no centro da Faixa de Gaza.

As vítimas estavam em uma casa atingida pelo canhão do tanque, durante a ofensiva terrestre do Exército hebreu sobre a Faixa de Gaza.

Em outra ação, quatro palestinos ficaram feridos em um ataque aéreo israelense contra a localidade de Jabaliya, no norte da Faixa de Gaza, revelaram testemunhas.  

Estima-se que até agora cerca de 560 palestinos tenham sido mortos e outros 2.500 teriam sido feridos. Por outro lado Israel afirma que quatro soldados e quatro civis morreram desde o início da ofensiva.

Crise humanitária

Enquanto a ofensiva continua, as condições de vida da população de Gaza estão se deteriorando cada vez mais, com os suprimentos de comida, água e trigo escasseando.

O norueguês Mads Gilbert, um dos dois médicos estrangeiros que trabalham no maior hospital de Gaza, o Al-Shifa, afirmou que as salas de operação estão cheias e que muitas pessoas estão morrendo por causa da falta de recursos.

Israel afirma que os civis não são alvos dos ataques, mas Gilbert diz ter visto apenas dois militantes em meio a centenas de mortos.

A Organização das Nações Unidas afirma que cerca de 1 milhão de pessoas na região sofre com a falta de energia elétrica e que muitos podem sofrer com a fome nos próximos dias.

*Com AFP, Reuters e BBC Brasil*

Nahum Sirotsky, colunista do iG, comenta a situação em Gaza; veja o vídeo:


11º dia de bombardeios

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