Israel fez entrar em vigor na primeira hora deste domingo uma trégua unilateral na Faixa de Gaza, mas alertou que suas tropas permanecerão no território palestinos e responderão a qualquer ataque do Hamas, depois de 22 dias de uma ofensiva que deixou mais de 1.200 palestinos mortos.

O Hamas reagiu de imediato ao anúncio avisando que não aceitar a presença de um soldado israelense sequer no território palestino,

No início da noite de sábado, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, anunciou a votação favorável do gabinete de segurança para um cessar-fogo unilateral na Faixa de Gaza.

Israel vai interromper sua ofensiva à 00h00 GMT de domingo (22h de sábado, horário de Brasília), mas o Exército israelense permanecerá, no momento, posicionado em Gaza e seus arredores.

"Às 2h (local), vai iniciar o cessar-fogo, mas continuaremos posicionados em Gaza e seus arredores. Se nossos inimigos decidirem atacar novamente, o Exército israelense vai-se considerar livre para responder com força".

Ainda segundo Olmert, Israel alcançou todos seus objetivos de sua ofensiva em Gaza.

"Nossos objetivos, da maneira que definimos quando lançamos a operação, foram totalmente atingidos e muito além disso. O Hamas recebeu um duro golpe", enfatizou.

Por sua parte, o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, ameaçou que Israel retomará a ofensiva contra o Hamas se necessário.

A resposta do Hamas, que já havia rejeitado de antemão a perspectiva de uma trégua unilateral por parte de Israel, foi imediata.

"O inimigo sionista deve cessar todas as agressõse e se retirar completamente da Faixa de Gaza, levantar o bloqueio e abrir as fronteiras. Não aceitaremos a presença de um único soldado em Gaza", declarou Fawzi Barhum, porta-voz do Hamas.

O presidente palestino, Mahmud Abbas, que só controla a Cisjordânia depois que suas forças foram expulsas de Gaza pelo Hamas em 2007, afirmou que a trégua unilateral deve ser acompanhada de um acordo de paz formal e uma retirada completa de suas tropas.

"Esta decisão é um primeiro passo, mas deve ser seguida por um acordo de paz, o fim do bloqueio a Gaza e a retirada das tropas", concordou o porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rudeina.

Israel decidiu cessar a operação "Chumbo Grosso", a mais vasta e mortal campanha militar israelense já lançada em Gaza, após ter recebido garantias americanas para o fim do contrabando de armas para o território palestino, segundo um alto funcionário do governo.

A secretária de Estado americana Condoleezza Rice assinou com sua colega israelense Tzipi Livni um acordo bilateral com essa finalidade, mas seu colega egípcio Ahmed Abul Gheit afirmou que seu país não estava "vinculado" a esse acordo.

Segundo a rádio militar israelense, Olmert poderá viajar ao Egito neste domingo para assinar um acordo permitindo o estabelecimento do mecanismo de vigilância internacional da fronteira entre Gaza e o território egípcio.

Desde o início do conflito, no dia 27 de dezembro, que custou a vida de 1.203 palestinos, o Egito iniciou uma mediação para tentar obter um cessar-fogo negociado entre Israel e o Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

Um dos principais objetivos de Israel durante suas operações foi tentar cortar os túneis por onde entravam armamentos para os militantes do Hamas por meio de bombardeios.

Oito foguetes palestinos foram lançados, sem deixar feridos, logo depois do anúncio feito por Israel de um cessar-fogo unilateral.

O movimento palestino Hamas reivindicou o lançamento dos foguetes "Grad" de alcance médio contra o sul de Israel, em diferentes comunicados.

Ainda neste sábado, uma mulher e uma criança morreram no bombardeio israelense a uma escola administrada pelas Nações Unidas em Beit Lahiya, norte da Faixa de Gaza, onde civis haviam buscado refúgio, indicaram fontes médicas e testemunhas.

Intensos combates foram registrados em torno da escola, onde o Exército israelense, com o apoio de blindados, enfrentava ativistas palestinos, indicou.

Em outro episódio, uma menina de dois anos morreu vítima de un obus israelense em Beit Hanun, norte da Faixa de Gaza.

Outro obus, disparado por um blindado israelense, matou três palestinos em Karama, norte, segundo fontes médicas palestinas.

Essa é pelo menos a quarta vez que uma escola administrada pela agência da ONU de ajuda aos refugiados palestinos em Gaza é alvo de um bombardeio israelense desde o início da ofensiva do Exército israelense contra este território palestino

bur-app/tt

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