Israel critica países que votaram a favor da adesão palestina à Unesco

Embaixador israelense diz que organização da ONU para educação ciência e cultura forçou um corte drástico nas contribuições

iG São Paulo |

O embaixador israelense da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Nimrod Barkan, afirmou nesta segunda-feira que os países que, como a França, apoiaram a adesão da Autoridade Nacional da Palestina (ANP) na Unesco verão sua influência sobre Israel "enfraquecer". "Isso vai enfraquecer a capacidade deles de influenciar na posição de Israel, principalmente em relação ao processo de paz", afirmou à AFP.

Leia também: Palestinos obtêm status de membro pleno da Unesco

AP
Visão geral da 36ª conferência geral da Unesco em Paris, França

Barkan disse que as nações que votaram sim pelo ingresso palestino não se preocuparam com a realidade dos fatos. "(Esses países) adotaram uma versão de ficção científica da realidade ao admitirem um Estado que não existe nessa organização encarregada da ciência... A Unesco deve se preocupar com a ciência e não com a ficção científica."

Ele chamou a votação de tragédia e disse que a Unesco tomou uma decisão que está fora de sua competência. "Eles forçaram um corte drástico nas contribuições para a organização", completou.

Além de Israel, os EUA também se opõem aos pedidos de reconhecimento palestinos na ONU e na Unesco. "A votação de hoje na Unesco para admitir a Autoridade Palestina é prematura e prejudica a meta compartilhada da comunidade internacional de uma paz abrangente, justa e duradoura no Oriente Médio", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

Antes da votação desta segunda-feira, o governo americano tinha ameaçado cortar o financiamento à Unesco caso o pedido palestino fosse aprovado. Uma legislação dos EUA que remonta há mais de 15 mandatos obriga um corte completo de financiamento americano a qualquer agência da ONU que aceite os palestinos como membro pleno. A Unesco depende dos EUA para 22% de seu orçamento - ou cerca de US$ 70 milhões.

Washington se opõe ao pedido palestino de uma cadeira na ONU sob o argumento de que isso não ajudaria nos esforços de reviver as negociações de paz com Israel, que sofreram colapso no ano passado.

Um comunicado da chancelaria israelense condenou a resolução da Unesco que, segundo eles, dificulta o processo de paz. "Trata-se de uma manobra unilateral palestina que não trará nenhuma mudança no terreno, mas afasta ainda mais um acordo de paz. Essa decisão não transformará a Autoridade Palestina em Estado, mas colocará obstáculos desnecessários ao caminho para renovar negociações."

Para Israel, essa é uma medida que danifica as possibilidades de alcançar harmonia na região. "Após esta decisão, o Estado de Israel considerará seus próximos passos sobre a cooperação com a organização", adverte a nota.

O ministério diz que a posição israelense é em prol do diálogo como a única via para conquistar a paz, e que ele deve acontecer sem condições preliminares, incluindo a exigência palestina de suspender o crescimento das colônias de judeus em seu território. "A estratégia palestina na Unesco e os passos similares em outros organismos da ONU supõem uma rejeição dos esforços da comunidade internacional para avançar no processo de paz", diz a nota, que agradece aos países que se opuseram ao pedido palestino.

A resolução que aceitou a Palestina como membro da Unesco foi aprovada com 107 votos a favor, 14 contra e 52 abstenções, durante a Conferência Geral da Organização da ONU responsável pela ciência, cultura e educação. Votaram a favor do ingresso, entre outros, Índia, China, Espanha, enquanto Estados Unidos, Alemanha, Canadá e Israel rejeitaram e se abstiveram o Reino Unido, Colômbia, Japão e México.

A grande surpresa da votação foi a França que, após fazer várias considerações, se pronunciou em favor da admissão palestina. "A Unesco não é o local e nem o momento. Tudo deve acontecer em Nova York", dizia até sexta-feira o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores francês, Bernard Valero, justificando que a admissão na Unesco não poderia preceder a votação do pedido de adesão na ONU , apresentado pelos palestinos no dia 23 de setembro.

Paris justificou nesta segunda-feira seu voto surpresa. "Hoje, a questão apresentada era para saber se a comunidade internacional responderia sim ou não ao pedido de adesão palestino na Unesco", afirmou Bernard Valero. "A partir deste momento, devemos assumir a responsabilidade e responder sobre o mérito. E sobre este mérito, a França diz que sim, a Palestina tem o direito de se tornar membro da Unesco, desta organização cuja missão é trabalhar para a generalização de uma cultura de paz dentro da comunidade internacional."

Com AFP, AP, EFE

    Leia tudo sobre: israelpalestinosestado palestinounescoonuadesãooriente médio

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG