Israel corre menos riscos militares com o Hamas do que com o Hezbollah em 2006

Em melhor posição agora do que na incursão contra o Hezbollah no Líbano em 2006, Israel deve vencer com mais facilidade o Hamas no plano militar, apesar dos perigos da guerrilha urbana, segundo analistas.

AFP |

"Os israelenses vão esmagar o Hamas. Eles usarão todos os meios disponíveis e levarão o tempo que for preciso", afirmou Gérard Chaliand, especialista francês em guerras, sem querer, no entanto, especular sobre a duração da operação israelense lançada em 27 de dezembro.

"Contrariamente à milícia xiita libanesa do Hezbollah, o Hamas, atacado por terra, ar e mar, está isolado e quase cercado, não tem posição de resposta", continuou.

"É certo que a parte decisiva e mais difícil da operação vai ocorrer nas cidades de Rafah e Gaza, mas eu ficaria extremamente surpreso se houvesse um risco similar muito sério para os israelenses. Eles tiraram as lições de seu relativo fracasso no Líbano em 2006. Eles estão melhor preparados e o adversário é muito mais frágil que seu velho inimigo do Hezbollah", comparou o especialista francês.

Para Bob Ayers, especialista americano em segurança e inteligência, que vive em Londres, do ponto de vista operacional e apesar das vítimas civis, os israelenses "estão fazendo um trabalho melhor que no Líbano, onde pareciam não ter objetivos muito claros".

"Eles enviaram duas colunas pelo mar para dividir Gaza em três. Acredito que os militares israelenses vão bloquear agora o acesso a estas três zonas e passem o pente fino", disse.

No entanto, acrescentou, "os israelenses sabem que vão perder nas cidades mais soldados frente aos milicianos do Hamas, às suas emboscadas e às bombas de todos os tipos que os mortos oficialmente reconhecidos até o presente. Entretanto, como o objetivo aparente é de eliminar a ameaça dos foguetes, eles não vão recuar".

Para ele, "o objetivo de Israel é destruir o máximo possível a infra-estrutura militar e política do Hamas e concluir um acordo com qualquer autoridade em Gaza que aceite discutir o direito de Israel de viver em paz".

Porém, a saída mais verossímil é que os israelenses anunciem num dado momento que atingiram seus objetivos e retirem suas forças, enquanto "o Hamas cantará vitória porque continuará lá".

"Não podemos deixar de dizer que o exército israelense jamais chega a terminar seu trabalho de 'limpeza', no meio de uma população de um milhão e meio de palestinos, com uma densidade de 4.000 pessoas por km2", admitiu também Gérard Chaliand.

"O Hamas conta com até 20.000 combatentes. Por enquanto, estamos longe de acabar com eles", observou. Os balanços falam em apenas centenas de milicianos mortos ou presos.

"As forças vivas dos islamitas continuam praticamente intactas, esperando o momento certo para tentar fazer o maior mal possível ao inimigo israelense, principalmente porque para o Hamas a estratégia não é a vitória e sim a sobrevivência", comentou.

Para Nadim Shehadi, especialista em Oriente Médio no instituto londrino Chatham House, Israel não vai, mesmo que o número de vítimas civis aumente, "parar antes de estar em situação de programar a vitória".

"Há uma questão interna em Israel", destacou. "O das relações entre o governo e o 'stablishment' militar", acusado de não ter atuado à altura e de carregar a responsabilidade dos 117 soldados israelenses mortos em combate no Líbano em 2006.

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