Ana Cárdenes. Jerusalém, 28 mai (EFE).- Israel advertiu que não mudará sua política de assentamentos em território ocupado horas antes de o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, pedir ao líder americano, Barack Obama, o fim do avanço das colônias para permitir a paz.

"O futuro dos assentamentos existentes será determinado em negociações para um status final entre Israel e os palestinos. Até então, a vida nessas comunidades deverá continuar com normalidade", disse hoje à Agência Efe Mark Regev, porta-voz do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Dentro dessa "normalidade", Israel inclui o que denomina "crescimento natural", que define como a expansão das colônias existentes para fazer frente ao crescimento demográfico de suas comunidades.

Regev afirmou que "Israel cumprirá o compromisso de não construir novos assentamentos e desmantelar os postos não autorizados", ou seja, os construídos a partir de março de 2001 e que a própria legislação israelense considera ilegais.

Para a legislação internacional e as Nações Unidas, todas as colônias construídas nos territórios palestinos ocupados por Israel após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, são ilegítimas.

As declarações de Regev ocorrem horas depois de a secretária de Estado americana, Hilary Clinton, dizer, em entrevista coletiva, que Obama transmitiu a Netanyahu que "quer uma suspensão total dos assentamentos".

Hillary foi taxativa ao especificar que não deve haver "exceções" justificadas como "crescimento natural" e indicar que a suspensão da construção não deve acontecer só em alguns assentamentos nem se limitar aos postos de avanço.

"Achamos que o fim da expansão dos assentamentos é em interesse dos esforços (de paz) nos quais estamos envolvidos", disse Hillary, que advertiu que "vamos pressionar sobre esse ponto".

Abbas transmitirá hoje a Obama que o freio à expansão das colônias é, junto com a retirada dos postos de controle dos militares, um requisito para a retomada das negociações de paz, informou o chefe palestino dessas negociações e assessor presidencial, Ahmed Qorei.

"Não haverá nenhum tipo de negociação até que as atividades colonizadoras parem totalmente, incluindo o 'crescimento natural'", sentenciou Qorei.

Qorei disse esta semana que as grandes colônias judaicas (Ariel, Ma'aleh Adumim e Givat Zeev) deveriam passar a fazer parte do futuro Estado palestino, em vez de serem anexadas a Israel em uma troca de territórios, como propõem as autoridades israelenses.

As colônias são "a maior ameaça" para o estabelecimento de um Estado palestino e para "uma paz duradoura" na região, declararam à Efe hoje fontes da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Segundo a OLP, há cerca de 500 mil colonos que residem nos cerca de 130 assentamentos e postos judaicos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

"A empresa colonizadora israelense controla 40% do território da Cisjordânia ocupada", denunciou a fonte, que exigiu o "fim imediato" não só da construção nas colônias, mas também dos incentivos legais aos colonos e da desapropriação de terras palestinas para assentamentos.

Na última semana, Israel desmantelou vários pequenos "postos avançados" - formados por pequenas caravanas ou cabanas desmontáveis - na Cisjordânia ocupada, alguns dos quais foram reinstalados imediatamente depois pelos colonos.

O conselho de assentamentos judaicos Yesha, que representa os colonos, protestou contra a medida e pediu que "todos os territórios que foram libertados na Guerra dos Seis Dias (Cisjordânia, Jerusalém Oriental e parte das Colinas do Golã)" sejam "anexados" por Israel.

O encontro de hoje entre Abbas e Obama, o primeiro que mantêm desde que o segundo chegou à Presidência dos EUA, ocorre dez dias depois que Netanyahu foi recebido em Washington e será o último da rodada de contatos de Obama com líderes do Oriente Médio antes de sua viagem ao Egito, no dia 4 de junho. EFE aca/an

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