Por Ori Lewis JERUSALÉM (Reuters) - O Ministério da Defesa de Israel informou nesta segunda-feira que aprovou a construção de mais 50 casas em um assentamento judaico da Cisjordânia, como parte de um plano de edificação de 1.450 unidades residenciais. Essa expansão contraria o pedido de congelamento dos assentamentos, feito pelos Estados Unidos.

Notícias sobre os planos de construção surgiram horas antes do ministro da Defesa, Ehud Barak, se preparar para uma viagem aos EUA para conversações destinadas a diminuir as divergências com o governo norte-americano sobre a questão dos assentamentos.

Barak vai reunir-se com o enviado do presidente dos EUA, Barack Obama, para o Oriente Médio, George Mitchell.

Um comunicado formal entregue pelo Ministério da Defesa à Suprema Corte de Israel esboçou os planos de transferência de colonos de Migron, um posto avançado construído na Cisjordânia sem a permissão do governo israelense, para o assentamento de Adam, ao norte de Jerusalém.

Segundo o documento, elaborado em resposta a uma ação judicial iniciada pelo grupo pacifista israelense Paz Agora, contrário aos assentamentos, o plano de transferência requer a construção de 1.450 moradias em Adam para abrigar os colonos.

Mas o Ministério informou ter dado o aval para a edificação de apenas 50 habitações. Outras casas dependerão de aprovação. O Paz Agora diz que cerca de 2.500 residências estão sendo construídas atualmente na Cisjordânia.

Obama vem pressionando Israel a interromper as construções nos assentamentos, como parte do esforço para reviver as conversações de paz para a criação do Estado palestino.

Cerca de 500 mil israelenses vivem na Cisjordânia e na parte árabe de Jerusalém, ocupadas por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Os palestinos afirmam que os assentamentos, que a Corte Mundial considerou ilegais, vão impedi-los de ter um Estado viável e contíguo.

Em Ramallah, na Cisjordânia, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, reiterou sua recusa em retomar as negociações enquanto Israel não congelar os assentamentos.

"Não vamos aceitar a continuação dos assentamentos", disse Abbas.

Abbas também advertiu o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de que deve abandonar suas condições para a criação de um Estado palestino, as quais incluem garantias de que o novo país não terá Exército e a exigência de que os palestinos reconheçam Israel como um Estado judaico.

Em uma rara divergência entre Israel e seu principal aliado, os EUA, Netanyahu se recusa a declarar o congelamento dos assentamentos, alegando que algumas obras devem prosseguir para dar conta do crescimento populacional dentro dos enclaves judaicos na Cisjordânia.

Barak levantou a possibilidade de uma suspensão limitada e temporária das obras em assentamentos, em comentários feitos no domingo, em resposta a um artigo de um jornal israelense informando que ele iria propor uma moratória de três meses.

(Reportagem adicional de Mohammed Assadi em Ramallah)

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