Israel construirá 500 casas em colônias no território palestino

Alberto Masegosa. Jerusalém, 7 set (EFE).- Israel autorizou hoje a construção de 500 novas casas em suas colônias da Cisjordânia ocupada, uma decisão que os palestinos qualificaram de desafio aos esforços internacionais para reativar o processo de paz.

EFE |

Segundo a imprensa local, a medida tem como objetivo contentar os colonos judeus diante de uma paralisação da ampliação dos assentamentos que Israel adotaria durante a visita, no próximo fim de semana à região, do enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell.

A autorização foi assinada pelo ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, e dá sinal verde para construir 455 casas em colônias que o Estado judeu pretende anexar caso aconteça um eventual reatamento da negociação para a criação de um Estado palestino independente.

Cerca de 160 casas serão construídas no bloco de Gush Etzion, no distrito de Belém e ao sudoeste de Jerusalém; outras 190 em assentamentos que ao redor da cidade santa; e uma centena na localidade de Modiin e no vale do Jordão.

O Governo israelense afirmou que os projetos se localizam ao lado da Linha Verde, mas o secretário-geral do movimento Paz Agora, Yariv Oppenheimer, assegurou que "alguns estão a dezenas de quilômetros" desse traçado, que separa Israel e Cisjordânia.

"Os colonos receberam do Governo um bom presente de Ano Novo", disse Oppenheimer, em alusão à celebração próxima dessa festividade, de acordo com o calendário tradicional judeu.

A medida foi criticada também pelo chefe negociador palestino, Saeb Erekat, que a considerou "um sério desafio" aos esforços da comunidade internacional para pôr fim ao conflito regional.

Erekat ressaltou que vários dos projetos serão erguidos "em assentamentos em volta de Jerusalém Oriental", onde os palestinos exigem estabelecer a capital de seu futuro Estado.

"Representa um sério desafio à comunidade internacional, que durante os últimos oito meses exigiu com clareza às duas partes o respeito do direito internacional para criar um ambiente que permita o reatamento de negociações sérias", precisou.

A decisão também não satisfez os colonos, cujo representante Daniel Dayan, presidente do Conselho de Assentamentos Judaicos Yesha, advertiu que "terá pouco benefício".

Além disso, afirmou que uma posterior suspensão da construção nas colônias "prejudicará politicamente" o Estado judeu.

"Rejeitamos qualquer paralisação (da edificação nas colônias) e acreditamos que a maioria dos ministros do Governo e do Parlamento nos apóia", afirmou Dayan.

Aproximadamente 300 mil colonos judeus residem em mais de uma centena de assentamentos distribuídos pela Cisjordânia, e outros 200 mil vivem em Jerusalém Oriental, os dois territórios onde, junto à Faixa de Gaza, seria estabelecido o futuro Estado independente palestino.

Retomar o caminho para atingir essa meta é o objetivo que levará Mitchell de novo ao Oriente Médio, segundo o plano proposto pelo presidente americano, Barack Obama, e que inclui ainda uma normalização entre Israel e o Mundo Árabe.

Obama exige uma paralisação do crescimento das colônias em território palestino para retomar o processo de paz, e oferece em troca uma ajuda para que os países árabes realizem gestos em favor do reconhecimento da existência de Israel.

O presidente americano trabalha há meses para encenar esse plano em uma cúpula com o primeiro-ministro israelense, Benjamín Netanyahu, e o presidente palestino, Mahmud Abbas, durante a Assembleia Geral da ONU, este mês, em Nova York. EFE elb-db-amg/mh

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG