Obras em ritmo acelerado ocorrem após fim da moratória de dez meses decretada por Israel sobre construções no território palestino

AP Photo/Tara Todras-Whitehill
Garoto judeu observa construção de casas no assentamento de Adam, na Cisjordânia
Israel começou a construção de mais de 600 casas nas colônias no território palestino ocupado da Cisjordânia desde que concluiu a moratória parcial nesse território em 27 de setembro. "Pela nossa apuração, começaram a ser erguidas 600 casas", disse à Agência Efe Hagit Ofran, encarregada de acompanhar o avanço dos assentamentos judaicos na ONG israelense "Shalom Achshav", (Peace Now, em inglês).

Ela afirmou que a construção "está sendo realizada rapidamente, quatro vezes mais rápido do que antes da moratória, porque durante dez meses não puderam construir muito e agora estão tratando de iniciar o máximo possível". Segundo Ofran, existem outras 13 mil unidades habitacionais que contam com todas as permissões necessárias para começarem a ser construídas.

Os colonos aceleraram as obras diante do temor de que, se for reativada o estagnado processo de paz com os palestinos, o governo de Benjamin Netanyahu anuncie nova ordem de cessação temporária à construção. No último dia 15, o Ministério de Habitação israelense voltou a ser criticado pel comunidade internacional após convocar um concurso público para a construção de 238 imóveis para judeus em dois assentamentos em Jerusalém Oriental, território palestino ocupado desde 1967.

A administração Obama, que tenta que israelenses e palestinos retornem à mesa de negociação, disse sentir-se "decepcionada" pelo anúncio das novas construções. Mais duras foram as críticas que partiram da França e da Rússia, ao assinalar que a medida representa um obstáculo no caminho em direção à pacificação.

Nações Unidas

O enviado especial da ONU para o Oriente Médio, Robert Serry, qualificou nesta quinta-feira de "alarmante" o início da construção de mais de 600 casas nas colônias judaicas no território ocupado da Cisjordânia em pouco menos de um mês. "O reatamento da construção dos assentamentos, que é ilegal de acordo com o Direito Internacional, vai na direção oposta dos pedidos da comunidade internacional às partes para que encontrem as condições para a negociação, e isso destruirá a confiança", destacou em comunicado.

Os palestinos se recusam a continuar com as negociações de paz (que têm como fim criar um Estado palestino independente em menos de um ano) enquanto Israel seguir ampliando as colônias judias em seu território, postura que conta com o apoio da Liga Árabe.

*Com EFE

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