Israel considera exigência turca por desculpas uma provocação

Turquia quer compensações pela morte de nove turcos em ataque a navio de ajuda humanitária em Gaza

Reuters |

Israel tratou com escárnio neste domingo a exigência da Turquia para que o Estado judaico peça desculpas pelo ataque a um navio de ajuda humanitária em Gaza como condição para o restabelecimento das relações entre os dois países.

"Acho que a questão de um pedido de desculpas chega a ser uma provocação", disse o ministro das Relações Exteriores israelense, Avigdor Lieberman, a diplomatas israelenses em um discurso com a presença de meios de comunicação internacionais. "Na verdade, nós estamos à espera de um pedido de desculpas do governo turco, e não o contrário", acrescentou.

Lieberman respondia a um pedido da Turquia, reiterado pelo ministro das Relações Exteriores Ahmet Davutoglu no sábado, para que Israel se desculpe e ofereça compensações pela morte de nove turcos, em confrontos a bordo do navio de ajuda Mavi Marmara em maio. O incidente, após meses de censura turca à política israelense contra os palestinos, deteriorou as relações entre o Estado judaico e seu antigo aliado muçulmano e membro da Otan.

Representantes dos dois países mantiveram conversações para uma reaproximação em Genebra neste mês. Autoridades israelenses dizem ter proposto um acordo que implicaria em seu país expressar "remorso" pela violência no navio e pagar indenizações às famílias dos mortos e aos feridos, em troca de um compromisso da Turquia de liberar o pessoal da Marinha de ações judiciais.

"Um pedido de desculpas formal de Israel só serviria para alimentar tais ações judiciais", disse o vice de Liberman, o deputado Danny Ayalon.

A imprensa turca cita Davutoglu, uma figura de liderança no partido do primeiro-ministro Tayyip Erdogan, o AK, de raízes islâmicas, como tendo colocado em dúvida a credibilidade do governo de Israel, no sábado.

"O fato de termos a vontade de fazer a paz não significa que outros também tenham essa vontade. Então, isso cria dificuldades. É muito difícil estabelecer uma vontade política em Israel", disse Davutoglu.

Ele disse que a Turquia enviou rapidamente aviões para ajudar no combate a um incêndio florestal em Israel neste mês, e sugeriu que, se a situação fosse invertida, os israelenses teriam levado dias para fazer a mesma coisa.

Lieberman classificou os comentários como "mentiras", lembrando o apoio em transporte aéreo de Israel à Turquia após o terremoto de 1999.

Israel diz que seus fuzileiros abriram fogo contra o barco em legítima defesa, o que é contestado pelos ativistas pró-palestinos que estavam no barco com ajuda humanitária.

Israel recusou-se a retirar o bloqueio naval à Faixa de Gaza, alegando que carregamentos de armas podem chegar até os militantes do Hamas, contra quem o país trava uma guerra há dois anos.

Lieberman acusou o governo de Erdogan de cumplicidade com a organização islâmica turca IHH, que patrocinou o navio Marmara Mavi e outros navios que tentaram romper o bloqueio. Ancara quer que as fronteiras de Gaza sejam liberadas, mas distanciou-se da missão IHH.

"Se alguém deveria pedir desculpas, deveria ser o governo turco a Israel sobre a cooperação com elementos terroristas, seu apoio ao terrorismo, apoio ao IHH, o Hamas e o (libanês) Hezbollah. Não haverá desculpas (israelenses)", disse Lieberman.

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