Israel confirma trégua em Gaza e se mostra disposto a dialogar com Líbano

Jerusalém - Israel confirmou hoje que aceita a proposta de trégua com milícias palestinas em Gaza - entre elas o Hamas - negociada pelo governo egípcio e se mostrou disposto a iniciar um novo canal de diálogo de paz com o Líbano, desta vez diretamente.

EFE |

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  • O cessar-fogo em Gaza entrará em vigor às 0h desta quinta-feira (horário de Brasília), e seu objetivo é acabar com um ano de confrontos neste território palestino e nas localidades fronteiriças israelenses, enquanto as negociações com o Líbano girariam em torno da devolução das Fazendas de Chebaa, área sob ocupação do Estado judeu.

    "Israel aceitou a proposta egípcia para a trégua em Gaza, e esperamos que isto represente o fim dos ataques com foguetes contra as cidades do sul israelense", declarou David Baker, do Escritório de Imprensa do Primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert.

    "Os cidadãos israelenses sofreram por tempo demais", acrescentou Baker, que acredita que "o acordo levará calma à região".

    Termos do acordo

    Os termos do acordo exigem que as milícias palestinas suspendam os ataques contra localidades fronteiriças com Gaza, enquanto Israel se compromete a conter suas operações de represália, acabar com o bloqueio imposto à Faixa e reabrir progressivamente os postos de fronteira deste território palestino.

    Um porta-voz do Hamas em Gaza, Sami Abu Zuhri, alertou hoje que a "calma será temporária e não significa necessariamente o fim da resistência armada. O povo palestino decidirá finalmente o que deseja fazer".

    O dirigente do grupo islâmico Mahmoud Zahar disse nesta terça que a trégua durará "seis meses", e que "Israel levantará gradualmente as sanções e reabrirá todos os postos fronteiriços", fechados desde que o Hamas tomou o controle da Faixa, há um ano.

    Zahar acrescentou que continuarão as negociações para tentar a reabertura da passagem de Rafah - que une Gaza e Egito - com a Presidência da Autoridade Nacional Palestina (ANP) e "partes européias", e também conseguir uma troca de prisioneiros com Israel.

    O Estado judeu espera que após o início do cessar-fogo aceitem libertar o soldado israelense Gilad Shalit, capturado em junho de 2006 por milícias palestinas de Gaza em uma eventual troca de presos.

    Paz com o Líbano

    Na manhã de hoje, o porta-voz do primeiro-ministro israelense, Mark Regev, disse que Israel está interessado em manter negociações diretas e bilaterais para conseguir um acordo de paz com o Líbano.

    "Israel quer a paz com o Líbano. Mantemos negociações de paz separadamente com a Síria e os palestinos, e não existe uma razão lógica para que israelenses e libaneses não possam conversar", declarou.

    Regev ressaltou que o governo israelense está preparado para conversar com Beirute sobre "todas as questões em litígio entre as duas partes, para que sejam postas sobre a mesa de negociação".

    Um dos principais empecilhos entre os dois países é o pequeno território conhecido como Fazendas de Chebaa, controlado por Israel.

    A ocupação das fazendas por Israel é um dos argumentos usados pela milícia xiita Hisbolá no Líbano para continuar com seus ataques e rejeitar assim a exigência de seu desarmamento contida na resolução 1559 do Conselho de Segurança da ONU.

    Tanto Israel quanto a ONU não reconhecem Chebaa como território libanês, mas como parte das Colinas do Golã, conquistada pelo estado Judeu durante a Guerra dos Seis Dias de 1967.

    Israel se retirou das demais localidades do sul libanês em maio de 2000 após 22 anos de ocupação, apesar de a tensão entre os dois países nunca ter acabado e ter atingido seu ponto crítico durante o conflito de meados de 2006.

    Desde dezembro, o Executivo israelense mantém negociações de paz diretas com a ANP apoiadas pelos Estados Unidos, destinadas a conseguir um acordo que inclua o estabelecimento de um Estado palestino independente.

    Além disso, Israel começou recentemente a dialogar sobre paz com a Síria, com mediação da Turquia, e através da Alemanha mantém contatos indiretos com o Hisbolá para a troca de prisioneiros entre as duas partes.

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