Israel condiciona trégua com o Hamas à devolução de Gilad Shalit

Elías L. Benarroch.

EFE |

Jerusalém, 18 fev (EFE).- Israel decidiu vincular qualquer acordo de trégua com o Hamas na Faixa de Gaza à libertação do soldado Gilad Shalit, enquanto espera que seja formado um novo Governo após os contatos políticos que o presidente israelense, Shimon Peres, iniciou hoje.

Em uma decisão que pode atrasar em meses as negociações com o movimento islâmico, o Gabinete de Segurança Nacional israelense, que é presidido pelo primeiro-ministro, Ehud Olmert, decidiu que não haverá abertura de passagens sem o retorno de Shalit, preso em Gaza desde junho de 2006.

"Israel continuará seus esforços humanitários (..) e para isto permitirá uma atividade parcial nas passagens fronteiriças com Gaza (..), mas a expansão de atividades nas passagens será discutida quando Shalit for libertado", declarou em comunicado o Escritório do Primeiro-ministro israelense.

Trata-se de uma postura que cria obstáculos para qualquer solução política na região após Israel e Hamas decretarem separadamente o cessar-fogo em 18 de janeiro, após 22 dias de conflito em Gaza que tirou a vida de 1.400 palestinos, a maior parte civis, e de 13 israelenses, na maior parte militares.

O Hamas assegurou então que sem a abertura de fronteiras não aceitaria uma trégua a longo prazo, e hoje seus líderes defenderam que se mantivesse separados este eventual acordo e a libertação de Shalit, que afirmam que deve ser negociada à parte.

"Não pode haver trégua a não ser que o bloqueio (a Gaza) seja interrompido e as passagens reabertas. A questão da trégua não deve estar ligada à libertação do prisioneiro Shalit", declarou o líder do Bureau político do movimento islâmico, Khaled Meshaal, desde seu exílio em Damasco.

Ismail Radwán, o porta-voz do Hamas em Gaza, considerou a decisão "uma punhalada nas costas do Egito", pois a nova postura israelense chega em um momento no qual todas as partes estavam convencidas de que o acordo era questão de dias.

Segundo Radwán, a decisão "não dobrará" o Hamas, que "continuará apegado a seu direito de defesa própria".

"Não temos nenhuma pressa", declarou.

Em Israel a resolução governamental foi recebida com o apoio generalizado da população e dos líderes políticos, que veem a trégua como uma "hesitação" perante o Hamas e desejam "maquiar" seu amargo sabor com a libertação de Shalit.

"Seria inconcebível aceitar uma trégua e a abertura de passagens em Gaza sem a libertação de Shalit", declarou o ministro do Interior de Israel, Meir Sheetrit.

No comunicado governamental está a possível libertação de Shalit em uma troca de prisioneiros, sobre o qual, no entanto, se afirma "que os números ainda devem ser concordados".

Pela libertação de Shalit o Hamas exige a de cerca de 1.400 palestinos de diferentes correntes políticas, entre eles muitos dos responsáveis pelos atentados suicidas durante a Intifada de al-Aqsa, que começou em 2000.

Com a custosa libertação de seu soldado - uma histórica obrigação moral para qualquer Governo israelense -, o Governo de Olmert também deseja disfarçar uma trégua que poderia fortalecer o Hamas ante os moderados do Fatah, interlocutores de Israel nas negociações de paz de Annapolis.

Especialistas também afirmam que Olmert talvez espere obter maiores concessões do Hamas nas duas negociações - a da trégua e a da troca de prisioneiros -, ao ter como contrapeso a quase certa entrada da direita nacionalista no Governo de Israel.

O partido direitista Likud, sob comando de Benjamin Netanyahu, ficou em segundo lugar nas eleições de 10 de fevereiro. Porém, ao ter mais aliados possíveis que o vencedor do pleito, o centrista Kadima de Tzipi Livni, é muito provável que a incumbência de formar Governo seja recebida por ele.

A responsabilidade recai em Peres, que esta tarde começou as reuniões com os líderes dos grupos com representação parlamentar antes de decidir: primeiro com os do Kadima, a maior força política, e depois com os do Likud.

Ao receber os resultados das eleições Peres expressou "sua confiança de que se forme uma coalizão ampla, na qual todos os que façam parte dela tenham diante de si os interesses do Estado".

Amanhã o presidente israelense seguirá a rodada de consultas para verificar se algum dos dois candidatos, Netanyahu ou Livni, contam com o apoio de pelo menos 61 dos 120 deputados da Knesset para a encarregar da formação do novo Governo. EFE elb/fal

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