Gaza, 27 dez (EFE).- O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse hoje que o Exército de seu país precisará de tempo para completar sua missão na Faixa de Gaza, onde 225 pessoas morreram e 750 ficaram feridas hoje, no mais sangrento ataque israelense contra os palestinos desde 1967.

Esta noite, os F-16 israelenses voltaram a bombardear alvos das forças da ordem do Hamas, plataformas de lançamento de foguetes e estradas, segundo testemunhas e fontes de segurança palestinas.

Os últimos ataques destruíram a estrada Saladino, a principal de Gaza, que liga as localidades de Beit Hanoun, Beit Lahia e Jabalya, sem causar vítimas, acrescentaram as testemunhas.

"A operação na Faixa de Gaza é destinada, antes de tudo, a melhorar a realidade de segurança para os residentes do sul do país", disse Olmert em entrevista coletiva em referência às localidades alvo dos projéteis das milícias palestinas.

"Isto levará tempo e cada um de nós deve ser paciente de modo que possamos completar a missão", disse o chefe de Governo.

Neste sentido, o titular israelense de Defesa, Ehud Barak, deixou claro pela tarde que "há um momento para tréguas e um momento para o combate" e "agora é o momento do combate".

"A operação continua e continuará enquanto for necessário", assegurou o Exército israelense em comunicado.

A edição digital do jornal "Jerusalem Post" informa que o Estado judeu aumentou seu desdobramento militar em torno de Gaza em preparação de uma eventual invasão terrestre após os bombardeios.

Os ataques aéreos foram lançados em um par de minutos, pouco depois do meio-dia, por cerca de 50 aviões e helicópteros da Força Aérea israelense.

Os bombardeios destruíram 30 prédios, em sua maioria sedes das forças de segurança do Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde junho de 2007, muitas delas situadas em áreas residenciais.

No ataque em massa morreram vários cargos do Hamas, como o responsável da Polícia, Tawfiq Jaber; o chefe da segurança, Ismail al-Jaabari; e o governador da circunscrição de Al Wusta, em Gaza Central, Ahmad Abu Aashur.

O jornal "Ha'aretz" diz que as autoridades israelenses buscaram gerar nos dias prévios uma falsa sensação de confiança no Hamas - com informações falsas e o anúncio na véspera da abertura das passagens fronteiriças - para que os membros das forças de segurança do movimento islamita se encontrassem nos prédios-alvo no momento do ataque.

A "confidencialidade" e o "elemento surpresa foram centrais" na operação, ressaltou o Exército israelense.

No final da tarde, um novo ataque aéreo ao leste da capital da faixa matou três milicianos que se preparavam para lançar foguetes contra Israel, o que aumentou para 225 o número de palestinos mortos em Gaza durante o dia, segundo fontes médicas.

Os serviços de emergência continuam buscando entre os escombros, o que - somado ao alto número de feridos, alguns em estado grave - faz temer que o número de vítimas aumente nas próximas horas.

O massacre gerou manifestações de repulsa em diferentes pontos da Cisjordânia, na parte palestina de Jerusalém e em Nazaré, a maior cidade árabe de Israel, onde foram registrados protestos e distúrbios.

Já pela noite, o chefe do Governo do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, acusou Israel de ter cometido seu "mais horrível massacre do povo palestino", enquanto o líder máximo do movimento islamita, Khaled Mashaal, exilado em Damasco, apelou por uma terceira Intifada contra Israel.

As milícias palestinas responderam com o lançamento de meia centena de projéteis contra o sul de Israel, um dos quais matou uma mulher em Netivot.

Barak declarou o estado de emergência em todas as comunidades israelenses em um raio de 20 quilômetros em torno de Gaza.

Os líderes do Hamas, por sua parte, estão escondidos por medo de serem o próximo alvo desta campanha, lançada oito dias depois de terminar a trégua de seis meses estipulada em junho por Israel e o movimento islamita com mediação egípcia.

No último dia 19, o Hamas recusou prorrogar o cessar-fogo por considerar que Israel descumpria sua parte do pacto.

Nos primeiros dias de volta às hostilidades, o Hamas se absteve de lançar foguetes e bombas contra Israel, para deixar que outras facções o fizessem, principalmente a pequena, mas radical, Jihad Islâmica.

Mas na quarta-feira, após a morte de três de seus milicianos por fogo israelense, o Hamas se lançou à ofensiva lançando mais de cem projéteis.

Esse mesmo dia, o gabinete de segurança deu sinal verde por unanimidade à operação e dois dias depois os principais responsáveis políticos e militares aprovaram seu lançamento, segundo reconheceu hoje o primeiro-ministro.

Barak tinha começado a projetar o ataque há meio ano, apesar da trégua com o Hamas, segundo o jornal "Ha'aretz". EFE sar-ap/ma

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