Israel completa retirada de tropas da devastada Gaza

Saud Abu Ramadan. Gaza, 21 jan (EFE).- O Exército israelense retirou-se totalmente hoje de uma devastada Faixa de Gaza após mais de duas semanas de invasão por terra e quatro dias de um cessar-fogo declarado unilateralmente tanto pelo Hamas como por Israel.

EFE |

A população de Gaza escutou por rádio nesta manhã o anúncio de uma fonte próxima ao Ministério do Interior do Hamas afirmando que as tropas israelenses tinham se retirado e recuado no exterior da Faixa.

Em comunicado, o Exército israelense confirmava a retirada de suas tropas de madrugada, assegurando que se mantêm posicionado nos arredores da Faixa em situação de alerta diante de "qualquer acontecimento" que possa acontecer.

A retirada das tropas aconteceu horas depois de tomar posse o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que assegurou em seu discurso que tratará de iniciar uma nova relação entre seu país e o mundo muçulmano.

A saída das forças israelenses deixa cenários totalmente devastados, sobretudo no norte da Faixa, cuja população terá que enfrentar nos próximos meses a dura tarefa da reconstrução.

Boa parte dos edifícios governamentais, controlados pelo Hamas, assim como a sede do Parlamento e outras instituições foi transformada em escombros, da mesma forma que prisões, escolas, universidades, mesquitas e mais de 4 mil casas.

Outras 20 mil casas e centenas de edifícios e suas infraestruturas ficaram danificados em um território que sofre um ferrenho bloqueio israelense que quase não permite a entrada de materiais de construção.

O secretário-geral do Hamas, Muhamad Awad, anunciou hoje que apesar de que todos os Ministérios em Gaza terem sido bombardeados, eles começarão a trabalhar em sedes provisórias dentro de dois dias, informou a agência de notícias palestina "Ma'an".

"O Governo de fato enviou um comunicado a todos os seus funcionários pedindo-lhes que compareçam às novas sedes de seus ministérios para oferecer seus serviços à população", disse Awad.

O Ministério da Educação também informou aos estudantes que no sábado se reiniciarão as aulas e pediu aos professores que se voltem hoje mesmo aos seus locais de trabalho.

O retorno à normalidade no campo educativo será um processo lento e difícil já que, segundo dados desse Ministério, cerca de 80% dos colégios foram danificados, motivo pelo qual decidiram fazer turnos de classes noturnas nas escolas que sobraram de pé.

A apuração de vítimas continuou subindo hoje, ao se encontrarem os cadáveres de duas mulheres, de 90 e 62 anos, soterrados sob escombros de suas casas no norte da Faixa e morrerem outras duas pessoas pelos ferimentos sofridos durante a ofensiva, o que elevou o número de mortos a 1.420.

Pela primeira vez desde que Israel iniciou sua ofensiva militar, em 27 de dezembro, até primeira hora da tarde não se registrou nenhum incidente armado em Gaza nem no sul de Israel.

Cerca de 400 palestinos com dupla nacionalidade saíram de Gaza através da passagem de fronteira de Erez, no norte da Faixa, depois que Israel, atendendo a pedidos de diversas embaixadas, lhes permitiu entrar em seu território para dele seguirem até a Jordânia e, dali, viajar para seus respectivos países.

Na manhã de hoje, Israel reabriu parcialmente três de seus postos de fronteira com Gaza para permitir a entrada de ajuda humanitária e combustível a Gaza, confirmou Nasser Al Sarraj, vice-ministro de Economia da Autoridade Nacional Palestina (ANP) na Cisjordânia.

Os postos de Kerem Shalom, Karni e Nahal Oz operaram hoje para permitir a entrada das cargas humanitárias e era esperado que cerca de 170 caminhões entrassem hoje em Gaza, uma faixa de 40 quilômetros de comprimento ao longo do litoral por outros 15, em sentido ao interior, cujo 1,5 milhão de habitantes se dispõe a iniciar uma reconstrução que os mais otimistas consideram que durará anos. EFE sar-aca/jp

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