Israel completa 60 anos sem resolver a questão da paz

Alberto Masegosa Jerusalém, 7 mai (EFE).- O Estado de Israel completa amanhã 60 anos sem ter conseguido resolver o conflito desencadeado por sua existência, que se transformou no mais antigo e no de maior repercussão no mundo.

EFE |

A instabilidade política e militar causada pela criação em 1948 do Estado Judeu no antigo protetorado britânico da Palestina - após o genocídio nazista na Segunda Guerra Mundial - não teve comparação nas últimas seis décadas.

O cenário da atual tensão entre Islã e Ocidente tem sua origem na percepção islâmica de um favoritismo ocidental para os israelenses em detrimento dos palestinos, que habitavam o território em que o novo Estado foi fundado.

Após sobreviver a diversos conflitos com Exércitos árabes e a duas intifadas, mas sem ter conseguido controlar totalmente o movimento palestino, Israel vai comemorar seu aniversário em meio a uma nova tentativa de alcançar um acordo que lhe garanta a paz.

Depois de várias mediações fracassadas e negociações inconclusas, o processo de Annapolis começou na cúpula de dezembro do ano passado nos Estados Unidos com o objetivo de estipular as bases de um Estado palestino junto ao israelense.

Em 1947, as Nações Unidas decidiram que se devia dividir a antiga palestina em dois Estados, o que gerou a proclamação de Israel, e uma forte rejeição no mundo árabe, que no ano seguinte iniciou as hostilidades.

A "Guerra da Independência" foi iniciada com a proclamação de Israel, que teve de enfrentar Síria, Egito, Líbano, Iraque e Jordânia. Esta foi a primeira das três conflagrações armadas que foram decisivas na história do Estado judeu.

A vitória permitiu ao Estado recém-criado a conquista do território reconhecido internacionalmente desde então como "israelense", e que tem o dobro da extensão que tinha sido estipulada pela ONU.

O segundo grande conflito aconteceu em 1967, com a "Guerra dos Seis Dias", que levou à ocupação por Israel de várias partes dos países vizinhos: as palestinas Gaza e Cisjordânia, o Golã, da Síria, Chebaa, do Líbano, e o Sinai, do Egito.

Com exceção dessa península, devolvida ao Egito em 1982, o Estado judeu continua com o controle do restante desses territórios. Israel passou há 40 anos de um país ameaçado a uma potência ocupante que fixa em alvos civis suas represálias militares.

O conflito contra a guerrilha xiita libanesa Hisbolá em 2006 foi outro ponto marcante para o Estado Judeu, que depois de comemorar diversos sucessos militares recebeu há dois anos seu primeiro forte golpe na região.

Após o fracasso de seu Exército no Líbano, Israel parece ter percebido sua vulnerabilidade, o que fez com que o Estado judeu reativasse a negociação com os palestinos e enviasse mensagens conciliadoras a países árabes que não abandonaram a linha dura, como a Síria.

Segundo um adido militar de uma Embaixada européia, "Israel percebeu que precisa mudar de estratégia para assegurar sua sobrevivência como Estado".

"Até agora, o conflito se desenvolvia segundo os diferentes parâmetros sobre a noção de tempo de israelenses, por um lado, e de palestinos e árabes, do outro", explica esta fonte, que não quis se identificar.

"Os árabes e palestinos pensam no tempo a longo prazo, e estão dispostos a esperar o que for preciso para conseguir a vitória final, mesmo que no dia-a-dia sofram derrotas, enquanto os israelenses têm um conceito de tempo a curto prazo", acrescenta.

"Essa lógica permitia às duas partes pensar que o tempo estava a seu lado, que elas estavam ganhando. Os árabes estavam convencidos de que acabariam com Israel, mesmo que fosse num período de um século, e os israelenses estavam contentes porque colecionavam triunfos militares", afirma.

"No entanto, pelo menos do lado israelense, isso mudou com o conflito no Líbano, mas talvez tenha sido tarde demais", conclui.

EFE amg/mh

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG