Israel completa 60 anos com festa e sob tensão

Por Dan Williams JERUSALÉM (Reuters) - Fogos de artifício e uma fanfarra militar marcaram na quarta-feira o início das celebrações pelos 60 anos da criação do Estado de Israel, um país que até hoje não conheceu a paz, embora seus líderes prometam buscar uma melhor convivência com seus velhos inimigos.

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Exibindo indicadores econômicos e democráticos raros no Oriente Médio, Israel só recentemente retomou as negociações que podem levar a uma co-existência com os palestinos -- que, a exemplo de outros árabes, consideram que a criação do Estado judeu foi uma injustiça a ser reparada.

'Nosso conflito de fato é longo', disse o primeiro-ministro Ehud Olmert em um discurso em homenagem aos soldados caídos, antes que à meia-noite começassem as festividades do Dia da Independência. 'Entretanto, é a paz, não a guerra, que pedimos e a que aspiramos.'

As festividades serão coroadas na semana que vem com uma visita do principal aliado de Israel, o presidente dos EUA, George W. Bush. Mas todo o evento tem sido ofuscado por recriminações mútuas e por uma investigação policial que pode afetar o futuro político de Olmert.

Além disso, o país, supostamente dono do único arsenal nuclear da região, vive sob a preocupação em relação ao programa nuclear do arqui-inimigo Irã (que nega a intenção de desenvolver armas atômicas) e do apoio de Teerã a grupos islâmicos do vizinho Líbano e da Faixa de Gaza.

E há também preocupações domésticas.

A hipótese de devolver aos palestinos os territórios ocupados desde 1967 divide a opinião pública, e há uma disputa entre judeus laicos e religiosos para definir a Constituição do país. Além disso, minoria árabe se diz discriminada, e as pessoas economicamente menos privilegiadas se queixam de descaso do governo.

Mas a presidente do Parlamento, Dalia Itzik, disse em discurso diante de autoridades e dignitários estrangeiros em Jerusalém que 'Israel é uma extraordinária história de sucesso'.

'Podemos nos orgulhar de quase toda a obra que foi feita neste nosso lar nacional, quase tudo. Transformamos um sonho em realidade', disse ela na passarela do desfile, batizada em homenagem a Theodor Herzl, líder sionista que no século 19 anteviu a criação de um Estado judeu na Palestina.

Este nasceu em parte com base na reivindicação histórica dos judeus sobre as terras bíblicas, e em parte para que servisse de refúgio aos sobreviventes das perseguições anti-semitas na Europa, que culminaram no Holocausto nazista.

Israel declarou sua independência em 14 de maio de 1948, horas antes do fim do mandato da ONU sobre a então Palestina britânica. Mas o Dia da Independência será celebrado na quinta-feira, dia 8, por causa do calendário judaico.

Para os palestinos, cujos líderes na época rejeitaram a proposta da ONU para dividir o território em dois Estados, um árabe e outro judeu, o 15 de maio ficou conhecido como 'nakba', ou 'catástrofe'. Centenas de milhares de palestinos ainda se consideram refugiados de 1948.

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