Israel comemora nesta quinta-feira o 60º aniversário da sua tumultuosa existência, enquanto os palestinos lembravam o Nakba, a considerada catástrofe para eles da criação do Estado judaico.

As festividades acontecem, no entanto, em meio ao mistério que cerca o inquérito realizado contra o primeiro-ministro Ehud Olmert, interrogado na sexta-feira pela polícia. De acordo com a imprensa local, o verdadeiro 'blecaute' informativo imposto pela justiça poderá ser encerrado no fim das comemorações, na noite desta quinta-feira.

O jornal Yédiot Aharonot indicou na última sexta-feira que Olmert aparentemente era suspeito de ter recebido dinheiro de um empresário americano, supostamente para financiar campanhas eleitorais.

Apesar do desejo de saber realmente o que está ocorrendo, os israelenses celebraram na quinta-feira a festa da independência organizando piqueniques nos parques, nas praias ou mesmo nos jardins das casas.

O Exército também contribuiu para as comemorações: aviões sobrevoaram todo o país, enquanto está previsto que dezenas de pára-quedistas saltem em direção a uma praia de Tel Aviv. Em Ashkelon, no sul, 120 pára-quedistas estrangeiros também devem efetuar um salto coletivo.

Desfiles militares estão programados para todo o país.

As comemorações acontecem sob forte vigilância, já que se temem atentados palestinos. Milhares de policiais e soldados foram mobilizados.

O Exército israelense impôs desde segunda-feira um bloqueio à Cisjordânia, citando questões de segurança.

Milhares de colonos e militantes de direita marcaram o aniversário organizando uma marcha para a colônia de Migron e sobre a área de implantação abandonada de Homesh, na parte ocupada da Cisjordânia.

Os palestinos inauguraram na Cisjordânia um "campo do regresso", um centro para lembrar a perseguição realizada por Israel durante a sua criação.

O 'campo do regresso' foi inaugurado na presença do primeiro-ministro palestino Salam Fayyad em tendas erguidas sobre uma área de Ramallah, perto do Mouqataa, o quartel-general da Autoridade Palestina.

Ele abriga uma exposição de fotografias e de documentos que reconstituem o 'Nakba' para os palestinos pela criação de Israel em 1948. Ele deve realizar futuramente palestras sobre o assunto.

Quase 760.000 palestinos foram obrigados a abandonar suas casas durante a criação do Estado de Israel.

O destino desses refugiados e dos seus descendentes, no total quase 4,5 milhões de pessoas, é a questão mais espinhosa do conflito entre o Estado Hebreu e os palestinos, e Israel se recusa a discutir a devolução desses territórios.

Em Belém, no sul da Cisjordânia, centenas de palestinos marcharam por três campos de refugiados. À tarde, milhares de pessoas são esperadas em Saffouriya, perto de Nazaré, Galiléia, para a tradicional manifestação de árabes-israelenses que exigem o direito de retorno para essas terras.

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