Israel começa a concentrar tropas na fronteira com Gaza

Israel começou neste domingo ao meio-dia a concentrar tanques e tropas na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel, o que permite prever o início em breve de uma operação terrestre, segundo fotógrafos da AFP. Na fronteira norte, perto da passagem de Erez, estavam estacionados pelo menos 16 tanques, enquanto outros se aproximavam, transportados sobre caminhões militares.

Redação com AFP |

Israel prossegue neste domingo com os ataques aéreos na Faixa de Gaza, que deixaram pelo menos 280 mortos em menos de 24 horas.

Israel decidiu mobilizar 6.500 reservistas , revelou uma fonte do governo na manhã deste domingo.

Vários veículos de transporte de tropas também estavam estacionados na área. Mais ao sul, a 50 km de distância, eram descarregados 10 tanques.

Além disso, foram instaladas barracas do Exército israelense na região, à qual chegavam soldados com equipamentos de combate. A mobilização inclui unidades de combate e unidades de defesa passiva.

Túneis

Aviões de guerra israelenses bombardearam túneis ligando a bloqueada Faixa de Gaza ao deserto do Sinai no Egito, disseram o Hamas e residentes palestinos neste domingo. Moradores relataram entre 10 e 15 explosões ao longo da faixa onde os túneis eram utilizados para levar pessoas e bens para fora de Gaza e onde o grupo islâmico Hamas também mantinha complexos de segurança.

Médicos disseram que tinham relatos de muitos feridos. O Exército israelense não comentou imediatamente as informações.

Reunido em caráter de emergência, o Conselho de Segurança da ONU pediu na manhã deste domingo o fim imediato de todas as atividades militares na Faixa de Gaza e exigiu que todas as partes enfrentem a crise humanitária no território.

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, se disse favorável neste domingo a ampliar as operações do Exército contra alvos do Hamas.

Alvos

A aviação de Israel atacou 230 alvos do Hamas na Faixa de Gaza, incluindo edifícios, arsenais ou zonas de lançamento de foguetes, segundo um porta-voz militar.

Com a operação, Israel afirma que pretende acabar com os disparos de foguetes a partir da Faixa de Gaza, que se intensificaram desde o fim da trégua entre o Hamas e o Estado hebreu em 19 de dezembro.

Os ataques israelenses mataram pelo menos 280 palestinos, em sua maioria policiais do Hamas, e feriram mais de 600 pessoas, segundo um balanço atualizado dos serviços de emergência palestinos.

Apesar da represália israelense, outros seis projéteis caíram neste domingo no sul de Israel, sem provocar vítimas. No entanto, o alcance dos foguetes palestinos é cada vez maior. Um deles, do tipo Grad, atingiu pela primeira vez Gan Yavne, próximo do porto de Ashdod, 33 km ao norte da Faixa de Gaza.

O Hamas afirma ter lançado dois foguetes Grad contra Ashdod, segundo maior porto de Israel.

Na manhã deste domingo, Israel voltou a atacar a cidade de Gaza, o campo de refugiados de Jabaliyah, o norte e o sul do território, nas cidades de Khan Yunes e Rafah.

Um dos ataques destruiu o "Saraya", um complexo no qual se encontra a principal prisão de Gaza e um quartel-general dos serviços de segurança do Hamas.

Em outro ataque, 10 policiais do Hamas foram feridos. Além disso, uma ação teve como alvo o edifício do "conselho de ministros" do Hamas em Gaza.

A aviação israelense também destruiu a sede do governo de Rafah, no sul da Faixa de Gaza.

No entanto, Israel parece determinado a ampliar os ataques, enquanto os disparos de foguetes do Hamas prosseguirem. Desde o início da operação militar israelense, 86 projéteis foram lançados e um deles matou uma civil no sábado.

Operação

O ministro israelense da Defesa afirmou neste domingo que "as FDI (Forças de Defesa Israelenses) expandirão e aprofundarão as operações em Gaza a tudo o que for necessário".

Barak não descartou ainda a possibilidade de uma operação terrestre na Faixa de Gaza.

O primeiro-ministro Ehud Olmert afirmou na abertura da reunião de gabinete que o objetivo da operação é "permitir aos cidadãos do sul de Israel levar uma vida normal, após anos de ataques incessantes com foguetes e morteiros".

Luto

As ruas da cidade de Gaza estavam praticamente desertas, com lojas e escolas fechadas em sinal de luto.

Na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e nas cidades árabes de Israel as lojas respeitaram uma greve de protesto.

No Egito, o chanceler Ahmed Abul Gheit afirmou que seu país está tentando obter um cessar-fogo entre Israel e o Hamas, e acusou o movimento palestino de impedir a transferência para o território egípcio de centenas de feridos.

Segundo testemunhas, na manhã deste domingo nenhum ferido de Gaza havia entrado no vizinho Egito.

O Crescente Vermelho (a Cruz Vermelha nos países islâmicos) do Irã informou que enviará dois aviões com ajuda humanitária para Gaza através do Egito. Na Líbia, a Fundação Kadhafi anunciou a criação de uma ponte aérea para a retirada dos feridos palestinos.

Reações

Na ONU, uma declaração não-vinculante, sem o mesmo peso de uma resolução, pede "o cessar imediato de toda violência" e às duas partes que "interrompam imediatamente todas as atividades militares".

O comunicado, um raro exemplo de unidade sobre o tema de Gaza, foi aprovado após cinco horas de consultas a portas fechadas, a pedido da Líbia, único membro árabe do conselho, mas não menciona diretamente Israel nem o Hamas.

O Papa Bento XVI condenou neste domingo a violência entre Israel e os palestinos do Hamas, pedindo "um ímpeto de humanismo e de sabedoria por parte de todos os que têm alguma responsabilidade nesta situação trágica no Oriente Médio.

"Rogo pelo fim desta violência que deve ser condenada em todas as suas manifestações e pelo restabelecimento da trágua na Faixa de Gaza. Peço um ímpeto de humanismo e de sabedoria por parte de todos os que têm alguma responsabilidade nesta situação", afirmou durante a benção dominical do Angelus.

"Peço à comunidade internacional que faça todo o possível para ajudar os israelenses e os palestinos neste beco sem saída e que não se resigne, como o disse há dois dias na mensagem 'Urbi et Orbi', a um mecanismo perverso de confrontação e violência, mas que dê prioridade à via do diálogo e às negociações", acrescentou o Sumo Pontífice.

No sábado, a Casa Branca afirmou que o Hamas pode provocar o fim dos ataques israelenses se parar de lançar foguetes contra Israel.

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, monitora a situação na Faixa de Gaza, informou uma porta-voz no Havaí, onde o futuro chefe de Estado americano passa as festas de fim de ano.

O líder do Hamas no exílio, Khaled Meshal, pediu aos palestinos que iniciem a terceira Intifada contra Israel e que cometam atentados suicidas.

Leia também:

    Leia tudo sobre: faixa de gazaisrael

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG