Israel cogita trégua, mas ignora termos do Hamas

Por Nidal Al Mugrabi GAZA (Reuters) - Israel pode declarar unilateralmente uma trégua na Faixa de Gaza, para privar o Hamas de ganhos políticos com o cessar-fogo mediado pelo Egito, disseram fontes políticas na sexta-feira.

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Em meio a uma febril diplomacia no Cairo e em Washington, Israel disse que sua ofensiva pode estar "no ato final", mas voltou a bombardear a Faixa de Gaza, onde mais de 1.150 palestinos já morreram e 5.000 ficaram feridos em três semanas de bombardeios, inicialmente por mar e ar, e depois também por ataques terrestres.

Autoridades israelenses disseram que o primeiro-ministro Ehud Olmert irá reunir seu gabinete de segurança no sábado à noite para decidir se ordena um cessar-fogo unilateral. Essas fontes acrescentaram que o Egito havia concluído que as negociações com o Hamas não estavam progredindo.

Autoridades egípcias não foram localizadas para comentar.

Israel não vai tratar diretamente com o Hamas, movimento islâmico isolado também pelo Ocidente devido à sua recusa em reconhecer o Estado judeu, renunciar à violência e aceitar acordos de paz anteriores.

O líder exilado do Hamas, Khaled Meshaal, disse antes que os termos israelenses para o cessar-fogo eram inaceitáveis, e que o grupo, exigindo um fim ao bloqueio punitivo à Faixa de Gaza, continuaria lutando.

A chanceler de Israel, Tzipi Livni, disse a uma TV, quando questionada sobre a trégua unilateral, que "o gabinete de segurança vai se reunir para tomar a decisão".

Meshaal pediu a líderes árabes reunidos no Qatar que rompam relações com Israel, algo que Síria e Irã também defendem. Mauritânia e Qatar posteriormente limitaram seus contatos com o Estado judeu.

Muitos analistas consideram que a posse do novo presidente dos EUA, Barack Obama, na terça-feira, será na prática o prazo para que Israel encerre os ataques, cedendo à crescente pressão internacional.

"ATO FINAL"

"Tomara que estejamos no ato final", disse Mark Regev, porta-voz de Olmert, sobre um conflito em que Israel usa um devastador poderio militar para impedir que militantes disparem foguetes caseiros da Faixa de Gaza contra cidades do sul israelense.

Os 1,5 milhão de habitantes de Gaza tiveram um dia de relativo alívio após uma quinta-feira que esteve entre os dias mais violentos da ofensiva. Mas os ataques israelenses se intensificaram no final da sexta-feira, matando 30 pessoas, inclusive alguns civis e um comandante do grupo Jihad Islâmica em Khan Younis, no sul do território.

Em outro incidente, no centro da Faixa de Gaza, um tanque israelense disparou contra a casa de um militante do Hamas, matando sua esposa e cinco filhos, segundo fontes médicas. O militante não estava em casa no momento.

Pelo menos 15 foguetes e morteiros caíram em Israel na sexta-feira, ferindo cinco civis, segundo o Exército. Tais ataques diminuíram durante a guerra, lançada em 27 de dezembro. Desde então, Israel teve 13 mortos, sendo 3 civis.

Livni, candidata à sucessão de Olmert na eleição de 10 de fevereiro, defendeu reservadamente a trégua unilateral, o que evitaria a necessidade de um cessar-fogo de cumprimento obrigatório, com reconhecimento internacional, que daria uma certa legitimidade ao Hamas.

"Tenho dito que o fim não tem de ser um acordo com o Hamas, mas sim arranjos contra o Hamas", disse Livni em Washington, após assinar um pacto pelo qual os EUA prometem colaborar em impedir o rearmamento do grupo islâmico, uma das principais exigências de Israel para suspender os ataques.

Aparentemente, o pacto de segurança reforça atuais acordos. Eles estabelecem que os EUA cederão informações e recursos para conter o contrabando de armas por mar, ar e terra, especialmente junto à fronteira com o Egito.

"Juntos, os passos que nós e outros membros da comunidade internacional podemos dar irão contribuir com um cessar-fogo durável", disse a secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, a quatro dias de deixar o cargo.

Autoridades ocidentais disseram que Olmert, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o presidente egípcio, Hosni Mubarak, devem assinar no Cairo, talvez já no domingo, um outro pacto destinado a fortalecer a trégua.

(Reportagem adicional de Adam Entous, Joseph Nasr, Allyn Fisher-Ilan, Ori Lewis e Alastair Macdonald, em Jerusalém)

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