Israel: chanceler Livni dá primeiro passo em direção ao poder

A ministra das Relações Exteriores israelense, Tzipi Livni, deu nesta quarta-feira o primeiro passo para assumir o comando do governo ao vencer as primárias do partido Kadima, substituindo na presidência da formação de centro o atual premier, Ehud Olmert, segundo várias pesquisas de boca-de-urna.

AFP |

Livni já reivindicou a vitória, declarando a seus partidários que "venceram os melhores".

"Vocês fizeram um trabalho extraordinário, venceram os melhores", disse Livni aos militantes do Kadima. "Farei de tudo para não decepcioná-los, vocês lutaram como leões", acrescentou.

Segundo várias pesquisas de boca-de-urna, Livni alcançou entre 47% e 49% dos votos, contra 37% de seu rival, o ministro dos Transportes e "falcão", Shaul Mofaz.

Mais de 50% dos 74.000 filiados do Kadima compareceram à votação, segundo dados de participação divulgados no site do partido (www. kadima.org.il).

Superando o patamar de 40% dos votos, Livni evitou uma disputa no segundo turno.

Os resultados oficiais serão anunciados na quinta-feira.

Olmert foi um dos primeiros a parabenizar Livni, a quem, em outros momentos, chegou a acusar de "traidora" e "mentirosa".

"Ele a desejou sucesso e os dois concordaram em agendar uma reunião. O premier disse que Livni terá sua plena cooperação e Livni agradeceu", afirma um comunicado do gabinete de Olmert.

A presidência do Kadima não garante acesso automático ao cargo de primeiro-ministro. Nos próximos sete dias, o presidente Shimon Peres deve encarregá-la da formação de uma maioria parlamentar e de um governo.

Para isso, Livni terá um prazo de 42 dias. Se não conseguir organizar tudo a tempo, serão convocadas eleições antecipadas.

Olmert, que prometeu deixar o cargo após a eleição de um sucessor no Kadima, deve permanecer à frente do governo de transição até que um novo gabinete seja formado.

Livni, que defende a manutenção das negociações de paz com os palestinos, se apresenta como uma garantia de honestidade e como antídoto para um partido afundado em escândalos de corrupção do primeiro-ministro.

O negociador palestino, Saeb Erakat, expressou sua esperança de que a vitória de Livni dê início a negociações "sérias".

"Esperamos que haja negociações sérias, em todas as questões, e que o eleitor israelense se pronuncie a favor do desmantelamento das colônias e do muro" que separa Israel e os territórios palestinos, declarou Erakat à AFP.

Depois de trabalhar para o Mossad, o serviço secreto israelense, a carreira de Livni, nascida em 8 de julho de 1958, mãe de dois filhos, foi meteórica.

Seus primeiros passos políticos foram dados nas fileiras da direita nacionalista. Em 1999, entrou pela primeira vez para a Knesset (Parlamento).

Com o tempo, foi deixando de lado os ideais nacionalistas para galgar postos na direção do Kadima, partido ao qual se filiou pouco depois de sua fundação pelo primeiro-ministro Ariel Sharon, no final de 2005.

A chanceler usa como cartão de visita sua imagem de mulher íntegra - nunca foi investigada pela justiça - e diz ter a intenção de restaurar "a confiança" dos israelenses.

jlr/ap/LR

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