Jerusalém, 5 mai (EFE).- Israel criticou hoje de forma dura as conclusões de um relatório da ONU sobre a recente ofensiva militar na Faixa de Gaza, que será apresentado hoje perante o Conselho de Segurança, ao considerá-lo tendencioso.

O documento diz que o Exército israelense disparou de forma proposital contra nove instalações da ONU que abrigavam civis durante a ofensiva militar na Faixa de Gaza, entre 27 de dezembro e 18 de janeiro passados.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, enviará hoje ao Conselho de Segurança sua resposta à minuta do relatório elaborado uma comissão que investigou as circunstâncias nas quais as sedes das Nações Unidas, incluindo o quartel-general em Gaza, foram danificadas durante a operação israelense.

"O Estado de Israel rejeita a crítica na minuta do relatório da comissão, e determina que tanto em espírito como na linguagem é tendencioso (...) e ignora os fatos apresentados perante o comitê", explica um comunicado da Chancelaria israelense.

"A comissão preferiu os argumentos do Hamas, uma organização terrorista assassina, e fazendo isso confundiu o mundo", completa a nota.

O documento da Chancelaria aponta que o secretário-geral da ONU destacou que a comissão investigadora criada para estudar o que aconteceu em Gaza não é um "órgão jurídico e não está autorizada a examinar questões legais".

O relatório se junta a uma lista de duras críticas internacionais à ofensiva militar israelense que se prolongou por 22 dias, deixou 1.400 palestinos mortos e cinco mil feridos.

O Ministério israelense se queixa que, apesar de ter cooperado completamente com a equipe investigadora da ONU e entregado valioso material de inteligência, "essas informações não se refletem no relatório".

Além de destacar que investigações internas feitas pelas Forças Armadas israelenses descartaram que seus soldados teriam disparado intencionalmente contra as instalações da ONU, Israel lamenta que o Hamas não tenha feito o mesmo.

"O relatório ignora completamente os oito anos de ataques contra Israel que precederam a decisão de iniciar a operação, e ignora as difíceis circunstâncias impostas pelo Hamas e seus métodos de operação armada", diz o texto da Chancelaria.

"Esperamos afirmações claras e ações por parte da ONU ", conclui o comunicado. EFE db/rr

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