Israel cerca Gaza capital e divide a faixa em três

Saud Abu Ramadan. Gaza, 5 jan (EFE).- Tropas israelenses cercaram hoje a capital de Gaza e dividiram em três partes incomunicáveis a faixa, onde continuaram os confrontos com milicianos do Hamas e de outros grupos armados enquanto se agrava a situação humanitária.

EFE |

No início da noite, os combates mais sangrentos aconteceram no norte da Cidade de Gaza, onde as milícias palestinas mantinham com armas automáticas um intenso fogo cruzado com as forças israelenses, tanto de artilharia quanto de infantaria.

Os soldados israelenses continuaram cercando a capital Gaza, tomando posições nos bairros dos arredores da cidade e bombardeando duramente o norte e o leste da cidade, sede do poder do Governo "de fato" do Hamas na faixa.

As milícias palestinas, por sua parte, conseguem continuar lançando foguetes contra o sul de Israel.

Apesar da forte presença de tropas israelenses em seu território, os milicianos dispararam ao longo do dia mais de 30 foguetes, alguns dos quais atingiram as cidades de Sderot e Ashdod, sem causar vítimas.

No primeiro discurso público de um alto dirigente do Hamas desde que começou a ofensiva israelense há dez dias, o chefe local do movimento islamita, Mahmoud Zahar, afirmou na emissora de televisão palestina "Al-Aqsa TV" que "a resistência vencerá no final".

Zahar exigiu "fim incondicional das operações israelenses na Faixa de Gaza, fim do bloqueio e a reabertura dos postos de fronteira, incluindo a passagem de Rafah" (com o Egito) e criticou a União Européia (UE) e os EUA por "não tentarem frear a invasão" israelense.

O braço armado do Hamas afirmou, em comunicado, que guarda "muitas surpresas para o inimigo", entre elas um arsenal de mísseis antitanque B-29 e de um novo tipo de foguete denominado "Tandem", que seria usado contra os encouraçados israelenses.

Ontem, Israel confirmou a morte de seu primeiro militar durante a incursão terrestre e que 30 de seus soldados haviam sido feridos.

A imprensa israelense assinalava hoje que pelo menos outros sete soldados teriam ficado feridos, embora porta-vozes de Israel não tenham confirmado a informação.

O balanço de vítimas em Gaza de fontes médicas oficiais palestinas chegou hoje a mais de 530 mortos e 2.600 feridos.

Desde o início da invasão terrestre israelense, na noite de sábado, a maior parte das vítimas é de civis, disse à Agência Efe Hassan Khalaf, diretor-geral do hospital Al Shifa.

Pelo menos 23 pessoas, na maioria delas civis, morreram nas últimas horas em diferentes bombardeios, 13 delas no bairro de Zeitoun, no sul de Gaza capital, quando a casa das vítimas foi alvo de um tanque israelense.

Outros sete membros de uma mesma família morreram quando sua casa no campo de refugiados de Shati foi atingida por um projétil lançado por um navio de guerra israelense da costa mediterrânea de Gaza, disse à Efe o responsável pelo serviço de emergências em Gaza, Moawiya Hasanein.

Além disso, outros três civis perderam a vida em um bombardeio no povoado de Beit Hanoun, no norte da faixa.

As forças israelenses dividiram Gaza em três para evitar que as milícias recebam reforços, o que também impede a livre movimentação dentro do território de seu 1,5 milhão de habitantes.

Essa estratégia militar também dificulta o trabalho das agências humanitárias e agrava a situação da população civil, que fontes da ONU classificam como "dramática".

Mais de 1 milhão de pessoas não dispõem de água nem eletricidade há dois dias e são cada vez mais escassos os alimentos e os remédios, segundo explicou à Efe Ahmed abu Shamaleh, responsável na Cidade de Gaza da Agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA).

"Atualmente não há serviços públicos, nem água, nem eletricidade, nem pão, nem alimentos essenciais. Não funcionam os telefones, a vida está paralisada, ninguém trabalha, faltam remédios; o que mais é preciso para reconhecer que há um desastre humanitário?", se pergunta Shamaleh. EFE sar-aca-ap/jp

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