Israel: Bombas da Tailândia eram similares às usadas na Índia e Geórgia

Autoridades do país acusam o Irã de estar por trás do ataque contra diplomata israelense em Nova Délhi, além das explosões em Bangcoc

iG São Paulo |

Oficiais de Israel levantaram suspeitas nesta quarta-feira de que o Irã planejava ataques contra o país, afirmando que as bombas encontradas em uma casa na Tailândia alugada por iranianos eram similares aos explosivos usados contra diplomatas israelenses na Índia e na Geórgia.

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AFP
Imagem divulgada pela polícia mostra os suspeitos de encolvimento em explosões em Bangcoc, Tailândia

O premiê israelense Benjamin Netanyahu denunciou a violência, enquanto o porta-voz do chanceler Ramin Mehmanparast qualificou as alegações como "sem embasamento" e acrescentou que Israel tentava prejudicar as relações do país com a Tailândia ao fazer teorias "conspiratórias".

O governo da Tailândia tentava determinar o que os três iranianos tramavam quando um dispositivo explosivo foi detonado acidentalmente na casa em que estavam, em Bangcoc, na terça-feira. Equipes especializadas em desarmamento de bombas fizeram uma inspeção na casa novamente nesta quarta, na busca de mais evidências, enquanto as forças de segurança procuravam por uma mulher iraniana que teria acertado o aluguel da casa.

Dois dos homens foram dentidos em Bangcoc na terça-feira após terem fugido da casa destruída, enquanto o terceiro foi detido na quarta-feira na Malásia, depois de ter pegado um avião de Bangcoc para Kuala Lumpur durante a noite.

Israel acusou o Irã de patrocinar uma campanha de terror e chegou a ameaçar com ataques militares as instalações nucleares iranianas. O Irã culpa o Estado judeu pelas recentes mortes de cientistas atômicos iranianos e negou ter responsabilidade pelos três casos dessa semana.

Na segunda-feira, em Nova Délhi, uma explosão atingiu um carro da diplomacia israelense, ferindo o motorista e a esposa do diplomata, segundo autoridades indianas. No mesmo dia, na Geórgia, autoridades disseram que um dispositivo explosivo foi plantado no carro do motorista da embaixada israelense - mas a bomba foi encontrada e detonada antes de explodir.

"Se essa agressão não é interrompida, em última análise, pode se espalhar para muitos outros países", disse Netanyahu no parlamento israelense nesta quarta-feira.

Ele convocou o gabinete de segurança para discutir ataques terroristas contra Israel e o "envolvimento do Irã em diversas tentativas para atingir alvos israelenes", disse o seu gabinete.

O embaixador isralense da Tailândia, Itzhak Shoham, afirmou à agência Associated Press em entrevista que depois das explosões de terça-feira, a polícia tailandesa encontrou duas bombas magnéticas que poderiam ser aderidas em veículos. "Elas são similares àquelas usadas em Délhi e Tbilisi", disse Shoham. "Disso, nós poderíamos presumir que vieram da mesma rede de terror."

Na noite de terça-feira, o canal de TV israelense Channel 10 citou autoridades tailandesas não identificadas dizendo que os iranianos que estavam presos confessaram que seus alvos eram israelenses. Entretanto, as autoridades de segurança da Tailândia afirmaram em uma coletiva que eles têm pouca informação sobre os supostos responsáveis pelos ataques ou seus possíveis alvos.

O chefe do Conselho de Segurança Nacional, Wichean Poteprosree disse que o governo ainda não determinou se havia qualquer ligação entre os eventos em Bangcoc, Nova Délhi e Tbilisi. "Nós não descobrimos qualquer ligação, mas continuamos investigando", disse Wichean. "Nós admitimos que havia um dispositivo magnético, e que o algo eram indivíduos, mas a origem dos magnéticos continua sendo investigada."

A polícia tailandesa revelou as identidades do iranianos em custódia: Saeid Moradi, que perdeu ao menos uma perna quando um dos dispositivos explodiu enquanto fugia da polícia, e Mohammad Kharzei, que foi detido na terça-feira, enquanto tentava embarcar para a Malásia.

Os dois enfrentam quatro acusações criminais, incluindo a possessão de explosivos, tentativa de assassinato, tentativa de assassinato de um policial e explosão danificando propriedade.

A polícia tailandesa identificou o terceiro suspeito como Masoud Sedaghatzadeh, e as autoridades da Malásia disseram que ele foi preso na quarta-feira. O porta-voz da polícia federal da Malásia, Ramli Yoosuf disse que Sadaghatzadeh estava sendo investigado por atividades relacionadas ao terrorismo ligadas às explosões de Bangcoc, mas não podia dizer se ele seria extraditado para a Tailândia

Ao menos cinco bombas foram encontradas em Bangcoc. A primeira explodiu o teto da casa dos três homens, e Moradi detonou outras duas - uma contra um táxi, quando seu motorista se recusou a parar, e outra quando tentou fugir da polícia. O motorista do táxi e mais três outros tailandeses ficaram feridos.

AP
Integrante de esquadrão antibombas da Tailândia examina mochila de suspeito de ataque a bomba em Bangcoc (14/2)

Quando a polícia inspecionava a casa, um esquadrão anti-bombas encontrou e desarmou dois explosivos. O tipo de bomba sugere que eles tentavam atingir indivíduos, segundo Wichean. A polícia está tentando identificar o material dos explosivos para descobrir sua origem.

"Baseado no equipamento e nos materiais encontrados, eles planejavam atingir indivíduos e a capacidade da destruição não tinha como intenção atingir multidões ou grandes prédios", disse.

O chefe da polícia nacional Prewpan Dhampong também afirmou que o alvo eram "indivídups. Como aconteceu na Índia." Ele se recusou a especular quem poderiam ser os alvos, mas disse que eram "estrangeiros, não tailandeses".

Whichean também reconheceu que seu país poderia ser um "elo frágil" para o terrorismo internacional "porque (o país) é aberto para estrangeiros". A Tailândia raramente foi alvo de terroristas internacionais, mas seu principal aeroporto é um importante polo para o transporte aéreo asiático - muito em parte ligado ao turismo - e é conhecida por sua tolerância e criticada pela corrupção.

As embaixadas dos EUA, Grã-Bretanha e Austrália em Bangcoc orientaram seus cidadãos a terem cautela na cidade, mas não chegaram a recomendar que viagens fossem evitadas.

Com AP e Reuters

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