Aviões de guerra israelenses bombardearam, neste domingo, a Universidade Islâmica, na Faixa de Gaza, considerada um reduto e símbolo cultural do Hamas. Segundo o correspondente da BBC em Gaza Rushdi Abualouf, três explosões foram ouvidas na região por volta da meia-noite (horário local) e o campus da universidade foi totalmente destruído pelo ataque.

De acordo com ele, bombeiros trabalham no local para controlar o fogo e buscar vítimas ou feridos.

Ele explica que as chances de o ataque ter feito alguma vítima fatal são pequenas, já que Universidade foi evacuada desde o início dos ataques pois o Hamas já esperava uma possível ofensiva contra o local.

Ataques aéreos
A ofensiva é a mais recente de uma série de ataques realizados por Israel contra a região neste final de semana.

Neste domingo, jatos israelenses bombardearam cerca de 40 túneis no sul de Gaza, o quartel-general das forças de segurança do Hamas, a sede de um canal de TV de propriedade do grupo islâmico e uma mesquita.

Segundo autoridades palestinas, cerca de 280 pessoas morreram no que está sendo considerado como o dia mais sangrento da história do território palestino.

Em resposta aos ataques israelenses, militantes palestinos dispararam foguetes do tipo Qassam contra Israel, matando um israelense na cidade de Netivot, 20 km ao leste da Faixa de Gaza. Israel diz que os militantes lançaram 110 foguetes contra seu território.

O governo israelense alertou que poderá iniciar operações militares por terra na Faixa de Gaza, se os disparos com foguetes por militantes palestinos contra alvos em Israel não cessarem. O governo também mobilizou reservistas para reforçar o Exército.

Segundo o correspondente da BBC em Jerusalém Jeremy Bowen, qualquer ataque terrestre na região seria extremamente violento, já que Gaza é um território densamente populado e as ofensivas poderiam atingir diversas pessoas simultaneamente.

'Sucesso'
A ministra do Exterior israelense, Tzipi Livni, disse neste domingo que a operação militar em Gaza "tem sido um sucesso" e que Israel quer "mudar a realidade na região".

Segundo ela, o país estaria determinado a libertar seus cidadãos dos ataques com foguetes lançados de Gaza pelos palestinos nos últimos quatro anos.

Ela disse que as tropas surpreenderam o Hamas e atingiram pontos importantes para o grupo e que Israel estava apenas "tentando garantir seu direito de autodefesa".

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, advertiu no sábado que a ofensiva israelense contra o Hamas na Faixa de Gaza "pode demorar algum tempo".

"Há um tempo para trégua e um tempo para a luta, e agora é o momento da luta", disse o premiê em uma coletiva em Tel Aviv. "Todos nós estamos preparados para encarar o fardo e as dores que são parte inseparável desta situação."
Os ataques com caças F-16, que também teriam deixado centenas de feridos, são os mais intensos realizados por Israel em meses e se seguem ao fim, neste mês, do acordo de cessar-fogo entre o governo israelense e o Hamas.

'Massacre'
O líder do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, acusou Israel de ter promovido "um massacre" e convocou uma nova intifada, ou levante, contra Israel.

Funcionários da Cruz Vermelha alertam que os hospitais estão quase sem medicamentos e aparatos para tratar os feridos.

O médico Khamis el-Essi disse à BBC que o hospital onde trabalha estava com as reservas de água quase vazias e que os geradores elétricos teriam pouco combustível.

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