Israel autoriza novas construções em assentamentos

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, assinou nesta segunda-feira autorização para a construção de 455 novas casas em assentamentos israelenses na Cisjordânia. A medida foi tomada poucos dias antes da chegada à região do enviado dos EUA George Mitchell, cuja missão em Israel seria justamente tentar chegar a um acordo para o congelamento da construção de assentamentos nos territórios palestinos ocupados.

BBC Brasil |

Grande parte das novas construções será feita em áreas ao leste do Muro da Cisjordânia. Essas terras, segundo o acordo intitulado Mapa da Paz - alcançado por Israel e autoridades palestinas sob mediação do governo de George W. Bush - deveriam ser devolvidas por Israel aos palestinos.

De acordo com o governo israelense, o presidente Bush havia concordado com a ampliação dos assentamentos que se encontram a oeste da barreira. No entanto, o governo americano atual, de Barack Obama, nega a existência desse entendimento entre Bush e o governo israelense anterior, do ex-premiê Ariel Sharon, e exige o congelamento de todos os assentamentos.

Para a Autoridade Palestina, a construção de assentamentos na região de Maale Adumim impede a continuidade territorial do futuro Estado Palestino, pois separaria o norte do sul da Cisjordânia.

O porta-voz do presidente palestino Mahmoud Abbas, Nabil Abu Rodeina, afirmou que a construção vai "prejudicar os esforços do presidente Obama pela paz".

Nabil Shaat, um dos principais líderes do Fatah, declarou:
"Nessas circunstâncias a normalização das relações dos países árabes com Israel seria um crime".

Reação de colonos
A decisão do governo também gera polêmica em Israel. Líderes dos colonos na Cisjordânia criticaram o número de casas a serem construídas pelo governo, que julgam ser insuficiente.

Shaul Goldstein, prefeito do bloco de assentamentos de Gush Etzion, na região de Belém, disse:
"Só em Gush Etzion há necessidade de 2 mil novas casas. A situação é vergonhosa. O governo tem o apoio de 65 deputados da direita e deve ser fiel a seu próprio programa e possibilitar a construção em toda a Judéia e Samária (nome bíblico para a Cisjordânia)".

Já para Dror Etkes, da ONG de defesa dos direitos humanos Yesh Din, "o significado a longo prazo dessas construções é grave, pois elas dificultarão mais ainda a possibilidade de um acordo de paz".

As críticas contra a decisão do ministro Ehud Barak vêm inclusive de membros de seu próprio partido, o Trabalhista.

"A assinatura de Barak autorizando a construção de centenas de casas nos territórios significa o abandono, pelo partido Trabalhista, de um dos poucos principios que ainda mantinha", afirmou o deputado trabalhista Eitan Kabel.

A mídia israelense divulgou o número e a localização exata das construções autorizadas pelo governo.

No assentamento de Maale Adumim, que fica a leste de Jerusalém, na chamada Cisjordânia "profunda", serão construidas 89 casas. Em Keidar, bairro próximo a esse assentamento, serão erguidas mais 25 casas.

Em Givat Zeev, Jerusalém Oriental, foram autorizadas 76 construções e no assentamento de Har Gilo; nas terras do distrito de Belém, mais 149. O assentamento de Modiin Elit, na região de Ramallah, será ampliado com 84 casas.

No Vale do Jordão, fronteira leste da Cisjordânia com a Jordânia, foi autorizada a construção de 20 novas casas, no assentamento de Maskiot.

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