Israel ataca Hamas em Gaza e deixa mais de 200 mortos

Israel bombardeou neste sábado vários alvos do Hamas na Faixa de Gaza, deixando pelo menos 225 mortos, em represália à retomada dos disparos de foguetes, lançados desse território palestino controlado pelo movimento radical islâmico.

AFP |

A operação, que há muito não se via no território palestino, começou às 11h30 (7h30 de Brasília). Até o momento, o balanço é de 225 mortos, membros da polícia do Hamas em sua maioria, e mais de 700 feridos, dos quais 140 em estado grave, de acordo com fontes médicas palestinas.

Segundo um militar israelense de alta patente, a Força Aérea atacou apenas "alvos militares" e conseguiu aplicar um duro golpe ao Hamas, graças ao fator-surpresa, ainda que esse tenha sido apenas o primeiro episódio de uma longa campanha para forçar o movimento a pôr fim a seus disparos.

Em poucos minutos, cerca de 60 aparelhos israelenses bombardearam mais de 50 instalações do Hamas, principalmente o quartel-general da polícia em Gaza e vários campos de treinamento. Depois, a Força Aérea atacou os lançadores de foguetes.

O general Tawfik Jaber, chefe de polícia do Hamas, morreu nos bombardeios, afirmou o porta-voz das forças de segurança do território palestino, Islam Shawan.

"A operação continuará e será eventualmente ampliada em função das avaliações do Exército e das autoridades de Defesa", advertiu o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak.

"Nós não combatemos o povo palestino", mas o Hamas, declarou Olmert, que se comprometeu a "evitar uma crise humanitária" que afetaria a população de 1,5 milhão de pessoas da Faixa de Gaza.

"Ao longo do dia, falamos com os dirigentes de todo o mundo e lhes explicamos, claramente, que nos vimos obrigados a agir para frear os ataques contra nossos cidadãos e que, paralelamente, Israel fará todo o possível para evitar uma crise humanitária", prometeu.

A resposta palestina não demorou. Mais de 50 foguetes e obuses de morteiro foram lançados da Faixa de Gaza, neste sábado, contra Israel, anunciou o Exército israelense. Um dos projéteis matou uma civil israelense em Netivot e deixou quatro feridos em uma casa dessa cidade do sul israelense.

O chefe de governo do Hamas na Faixa de Gaza, Ismail Haniyeh, garantiu que os ataques israelenses não vão dobrar seu movimento.

"Não abdicaremos, nem renunciaremos, nem que vocês (os israelenses) destruam a Faixa de Gaza, ou matem milhares de nós", frisou, convocando o Egito a romper suas relações com Israel.

O Hamas também convocou seu braço armado, as brigadas Ezzedin al-Qassam, a "recorrer a todos os meios para não deixar os sionistas descansarem".

Seu chefe no exílio, Khaled Mechaal, convocou uma nova Intifada contra Israel e defendeu a retomada de atentados suicidas, em entrevista à TV Al-Jazeera.

Da Cisjordânia, o presidente palestino, Mahmud Abbas, classificou a ofensiva israelense de "agressão covarde" e denunciou as "matanças na Faixa de Gaza".

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu o "fim imediato da violência".

À noite, a Casa Branca afirmou que cabe ao Hamas pôr fim aos ataques israelenses, deixando de lançar foguetes sobre o território hebreu. Mais cedo, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, já havia declarado que o Hamas é "responsável pela violação do cessar-fogo".

Hoje, a cada instante, chegavam ao Hospital Al Chifa, em Gaza, corpos despedaçados e feridos, em meio a uma enorme confusão. Os corpos iam-se amontoando sobre o chão do serviço de emergência e pelos corredores. Os feridos gritavam. Médicos e enfermeiros eram insuficientes para atender a todos.

União Européia e Rússia, entre outros países, pediram o fim "imediato" da violência. Os países árabes foram unânimes em condenar a operação israelense e, a pedido do Qatar, a Liga Árabe fará uma cúpula extraordinária, na próxima sexta, em Doha. Também não se descarta uma reunião ministerial neste domingo, no Cairo.

Em reação aos ataques israelenses, centenas de palestinos foram às ruas na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental para protestar.

ms-az/fp/tt

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