Israel ataca escolas em casa: mais de 630 mortos desde o início da ofensiva

O exército de Israel intensificou nesta terça-feira os bombardeios à Faixa de Gaza pelo 11º dia consecutivo; 43 pessoas morreram em um dos três ataques a escolas da ONU, aumentando, assim, o número de vítimas a pelo menos 660 mortos e mais de 2.900 feridos desde o início da ofensiva - segundo os serviços de emergência palestinos.

AFP |

Além dos 43 mortos, mais de 100 pessoas ficaram feridas na operação israelense que atingiu a escola da Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA), na cidade de Jabaliya, norte da Faixa de Gaza.

Mais cedo, nesta terça-feira, outras cinco pessoas morreram em outros estabelecimentos da ONU - uma escola em Gaza e outra em Khan Yunis, no sul do território.

"É uma tragédia horrível, que está ficando cada vez pior. Há cada vez mais feridos chegando", afirmou, espantado, John Ging, o chefe das operações da UNRWA em Gaza.

"Já não há mais lugares seguros onde se refugiar. Todo o mundo está aterrorizado e traumatizado", lamentou.

No terreno, os combates entre ativistas palestinos e soldados israelenses continuaram na Cidade de Gaza, nos bairros de Zeitun, Chujaiya e Tuffah, mas também nas zonas urbanas do norte e do sul do território palestino.

Apesar dos apelos internacionais a um cessar-fogo, Israel se recusou a suspender sua ofensiva. O Estado hebreu conta com o apoio dos Estados Unidos, que pedem um "cessar-fogo duradouro" que inclua o fim definitivo dos disparos de foguetes.

"Os combates israelenses serão encerrados quando cessarem os atos de terrorismo e o contrabando de armas entre o Egito e a Faixa de Gaza", declarou o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, durante uma visita em Sderot, no sul do país.

A televisão do Hamas, Al-Aqsa TV, divulgou imagens de poças de sangue, colchões e roupas espalhados diante da escola administrada pela Agência da ONU de ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA) em Jabaliya.

Socorristas e civis trabalhavam juntos na retirada dos corpos e dos feridos, entre os quais muitas mulheres e crianças.

O número de civis mortos está aumentando cada vez mais. Em um bairro de Gaza, pelo menos 12 pessoas da mesma família, entre elas sete crianças de um a 12 anos, morreram no bombardeio de sua casa.

Um comandante do Hamas era o alvo deste ataque, mas conseguiu fugir com mulher e filhos no início do ataque.

Do lado israelense, um militar morreu durante um confronto com ativistas palestinos, elevando a seis o número de soldados israelenses mortos desde o início da operação. Quatro deles morreram vítimas de "fogo amigo", ao serem atingidos por um obus de tanque israelense.

"O Exército cortou a Faixa de Gaza em dois territórios, e cercou a Cidade de Gaza", afirmou o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak.

"Deflagramos esta operação para dar um duro golpe no Hamas, para mudar as condições de vida no sul de Israel, para trazer calma e segurança aos cidadãos e para acabar com o contrabando de armas para Gaza", destacou Barak.

A situação humanitária está se deteriorando cada vez mais neste território pobre e superpovoado, onde faltam água e alimentos, combustível e energia elétrica.

Apesar da presença dos soldados israelenses na Faixa de Gaza, mais 35 foguetes foram disparados nesta terça-feira contra o sul de Israel, segundo o Exército. Quatro israelenses morreram vítimas desses tiros desde o dia 27 de dezembro.

Pela primeira vez, um dos foguetes caiu a mais de 45 km ao nordeste da Faixa de Gaza, na cidade de Gedera, ferindo levemente um bebê, informou o Exército israelense.

O Exército de Israel afirmou ter matado 130 combatentes do Hamas desde sábado à noite, quando começou a ofensiva terrestre.

No âmbito diplomático, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, pediu à Síria que intervenha diretamente com seus aliados do Hamas para permitir um cessar-fogo na Faixa de Gaza.

Uma delegação do Hamas reúne-se com dirigentes egípcios no Cairo para discutir sobre os meios de pôr um fim ao conflito.

Na ONU, os países árabes estão se esforçando para conseguir o mais rápido possível uma resolução do Conselho de Segurança impondo um cessar-fogo duradouro em Gaza.

O Papa Bento XVI afirmou que quer encorajar "os esforços dos que buscam ajudar israelenses e palestinos a aceitar o diálogo".

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