Israel ataca barcos que tentavam furar bloqueio

De acordo com Exército israelense, nove pessoas morreram no ataque contra barcos que tentavam furar bloqueio à Faixa de Gaza

iG São Paulo |

Militares israelenses mataram nesta segunda-feira nove ativistas a bordo de uma frota internacional com ajuda humanitária que seguia para a Faixa de Gaza, território palestino bloqueado por Israel desde 2007, anunciou o Exército israelense. Uma porta-voz militar disse que esse é o número final de mortos, informando que o navio foi levado ao porto da cidade israelense de Ashdod. Mais cedo, autoridades israelenses haviam afirmado que pelo menos dez pessoas, ou mais, haviam morrido.

O Exército não forneceu a nacionalidade de nenhum dos mortos ou feridos, mas uma alta autoridade israelense disse que a maior parte das vítimas era turca. A brasileira Iara Lee estava em um das embarcações que integravam a frota, segundo informou o Itamaraty. Ainda não está claro se ela está entre os mortos.

Reuters
Militares israelenses retiram ativista ferido de embarcação

A imprensa local também informou que o líder árabe israelense islamita Raed Salah ficou gravemente ferido no ataque. Autoridades da Defesa de Israel disseram que, além dos nove mortos, 20 ativistas e sete militares ficaram feridos no 'Mavi Marmara', o cruzeiro turco que levava 581 pessoas a bordo.

Israel acusa ativistas

O governo israelense acusou os membros da flotilha de terem provocado a violência. Autoridades israelenses disseram que os fuzileiros navais foram recebidos a tiros e que ativistas carregavam facas quando os militares chegaram aos navios.

O número dois do Ministério de Exteriores israelense, Daniel Ayalon, culpou os tripulantes da expedição pelo ataque militar israelense à "Frota da Liberdade". "Certamente lamentamos as vítimas, mas a responsabilidade pelas mortes é deles, daqueles que atacaram os soldados israelenses", assinalou Ayalon - do mesmo partido do chanceler Avigdor Lieberman - em entrevista coletiva do Ministério de Exteriores em Jerusalém.

Em comunicado, o Exército israelense assegura que dois "ativistas violentos sacaram os revólveres" de suas tropas "e aparentemente abriram fogo contra os soldados, como provam os cartuchos vazios dos revólveres".

No Canadá, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, justificou a ação afirmando que os soldados agiram em legítima defesa. A ação violenta acontece na véspera de um encontro em Washington entre o presidente americano Barack Obama e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Depois do ataque, Netanyahu cancelou o encontro .

Ataque em vídeo

AP
Imagens de TV mostram soldados israelenses a bordo de um dos barcos

Imagens de uma TV turca feitas a bordo do barco que liderava a frota mostram soldados israelenses lutando para controlar os passageiros. As imagens mostram algumas pessoas, aparentemente feridas, deitadas no chão. O som de tiros pode ser ouvido.

A TV árabe Al-Jazeera relatou, da mesma embarcação, que as forças da Marinha israelense haviam disparado e abordado o barco, ferindo o capitão.

A transmissão das imagens pela Al-Jazeera foi encerrada com uma voz gritando em hebraico: “Todo mundo cale a boca!”.

Já a TV israelense mostrou imagens em que um ativista parece tentar esfaquear um soldado.

Manifestações

Centenas de pessoas foram às ruas em Nazaré, cidade israelense de maioria árabe, para protestar contra a ação israelense. Manifestações também aconteceram em outros países. No Líbano, milhares de refugiados palestinos saíram às ruas para protestar.

Em Amã, na Jordânia, manifestantes queimaram uma bandeira de Israel pintada com suásticas nazistas e pediram o fim do acordo de paz com Israel .

Na Turquia, dezenas de pessoas se concentraram em frente à casa do embaixador israelense em Ancara. Alguns manifestantes chegaram a tentar invadir o prédio. Acredita-se que a maioria dos mortos durante a ação israelense era turca.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel advertiu os cidadãos do país a não viajarem para a Turquia e para os israelenses já no país a evitarem grandes concentrações de pessoas.

Reação internacional

A comunidade internacional reagiu fortemente contra o ataque de Israel aos navios de ajuda humanitária.

O governo da Turquia advertiu Israel para as "consequências irreparáveis" nas relações bilaterais. "Condenamos energicamente as práticas desumanas de Israel", afirma a chancelaria turca em um comunicado.

A pedido do governo turco, que é membro temporário do Conselho de Segurança da ONU, órgão anunciou que realizará nesta segunda-feira uma reunião emergencial sobre o ataque israelense.

A União Europeia (UE) pediu uma "investigação completa" das autoridades israelenses sobre as circunstâncias do ataque e reiterou o pedido de uma abertura "incondicional" de Gaza à ajuda humanitária e ao comércio. A Espanha, que exerce a presidência semestral da UE, convocou o embaixador de Israel para pedir explicações.

O presidente palestino Mahmud Abbas afirmou que o ataque foi "uma matança" e decretou três dias de luto nos territórios palestinos. A Autoridade Palestina exigiu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para debater o ataque e a Liga Árabe qualificou a operação de "crime".

O movimento radical palestino Hamas convocou árabes e muçulmanos a uma revolta diante das embaixadas de Israel.

Ajuda humanitária

A flotilha, que tinha mais de 700 passageiros, cumpria a última etapa de uma missão humanitária para entregar quase 10 mil toneladas de ajuda a Gaza.

Os barcos começaram a navegar em direção a Gaza a partir de águas internacionais diante do Chipre na tarde de domingo e tinham previsão de chegar à Gaza durante a madrugada.

Seis horas depois da partida da flotilha, três embarcações israelenses zarparam de Haifa com a missão de interceptar a viagem. Durante o fim de semana, Israel qualificou o comboio de ilegal e advertiu que apreenderia os barcos.

Israel decretou um bloqueio quase total à entrada de mercadorias na Faixa de Gaza desde que o grupo islâmico Hamas tomou à força o controle da região, em junho de 2007.

O Hamas é acusado pelos disparos de milhares de mísseis contra o território israelense na última década. Israel diz que permite a entrada de 15 mil toneladas de suprimentos de ajuda humanitária a Gaza a cada semana. Mas a Organização das Nações Unidas diz que isso é menos de um quarto do necessário.

* Com EFE, AFP, Reuters e BBC Brasil

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