Israel aprova construções na Cisjordânia e Netanyahu tenta equilibrar exigências

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, autorizou a construção de 366 casas nos assentamentos judaicos da Cisjordânia ocupada e de Jerusalém Oriental, o que confirma a ideia do premier Benjamin Netanyahu de reativar a colonização antes de interromper a mesma, tentando satisfazer ao mesmo tempo as exigências contraditórias de Washington e da ala dura de seu partido, o Likud.

AFP |

"O ministro da Defesa, Ehud Barak, autorizou a construção de 366 residências em blocos de assentamentos em Judeia e Samaria (Cisjordânia)", afirma um comunicado ministerial.

Um total de 149 casas serão construídas na colônia de Har Gilo no bloco de Gush Katif, perto de Belém, 84 em Modiin Ilit, ao oeste de Ramallah, 76 em Givat Zeev, ao norte de Jerusalém, 25 em Kidar, perto da colônia de Maalleh Adumim, ao leste de Jerusalém, e outras 20 no assentamiento de Maskiot, no vale do Jordão.

Nos próximos dias, Barak deve autorizar a construção de outras 84 casas nos assentamentos, elevando a 450 o total de novas contruções, de acordo com o ministério.

Até agora, Netanyahu conseguiu manter unida a coalizão de governo, o que o levou a prosseguir com a colonização na Cisjordânia ocupada.

Ao mesmo tempo, tem evitado um confronto com os Estados Unidos, grande aliado de Israel, que exigem o fim das construções nas colônias.

O desafio é saber se o premier conseguirá conciliar posições tão contraditórias.

Para o cientista político Yaron Ezrahi, "a retomada da colonização é uma manobra tática antes do fim desta".

"Não é que a perspectiva de parar a colonização seja do agrado de Netanyahu, partidário declarado desta. O fato é que ele é consciente de que a posição de Israel sobre o tema se tornou insustentável no cenário internacional", explica.

Para ele, as novas casa são um "tranquilizante para o lobby dos colonos antes da dolorosa suspensão da colonização".

Mas ao mesmo tempo considera que a concessão aos colonos pode frear a retomada do processo de paz.

"Se as negociações não tiverem sucesso, aumentarão as tensões com a administração Obama. Mas se derem resultado, isto pode provocar a desintegração da coalizão", afirma Yosi Alpher, que foi conselheiro de governos trabalhistas.

As pesquisas mostram que a maioria relativa dos israelenses se opõe à colonização e a maioria absoluta é totalmente contrária à paralisação das construções nas colônias já instaladas, ou em Jerusalém Oriental, anexado depois da ocupação de junho de 1967.

A iniciativa israelense revoltou o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, para quem seria "inútil" uma reunião com Netanyahu em caso de confirmação da continuidade da colonização.

Para ele, o fim da colonização é uma condição para o reinício das negociações de paz.

ezz/fp

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