Israel aprova construção de centenas de casas na Cisjordânia

EUA condenam ação e afirmam que ela não é construtiva para reunir palestinos e israelenses à mesa das negociações

iG São Paulo |

Israel aprovou nesta quarta-feira a construção e a legalização de centenas de casas para colonos judeus no norte da Cisjordânia ocupada, informou o ministério israelense da Defesa. A decisão foi tomada pelo conselho superior de planejamento da Administração Militar encarregada dos Assuntos Civis nos Territórios palestinos (COGAT), segundo um porta-voz do órgão.

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AP
Colona israelense espera por uma carona no assentamento de Shilo, na Cisjordânia

O funcionário destacou que a primeira etapa do projeto foi aprovada há seis meses pelo Ministério da Defesa. O COGAT aprovou a construção de mais 500 casas para judeus na colônia de Shilo, situada entre as cidades palestinas de Ramallah e Nablus, na Cisjordânia.

Além disso, cerca de 200 residências construídas ilegalmente em Shilo e no assentamento não autorizado de Shvout Rachel foram legalizadas, informou a rádio militar.

A comunidade internacional considera ilegais todas as colônias nos territórios palestinos, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. O governo dos Estados Unidos reagiu à decisão afirmando que a expansão da colonização israelense nos territórios palestinos não contribui para a paz no Oriente Médio.

"Não acreditamos que isso seja construtivo para trazer as duas partes de volta à mesa de negociações", disse o porta-voz do departamento de Estado Mark Toner, acrescentando que Washington rejeita a decisão israelense.

"Queremos ver claramente um acordo integral que delimite as fronteiras e resolva muitas destas questões".

Os assentamentos são o principal obstáculo às negociações de paz na região, interrompidas desde setembro de 2010 pela construção em áreas que Israel ocupou em 1967. Em janeiro, palestinos e israelenses tentaram reativar o diálogo, mas voltaram a suspendê-lo pela reivindicação do presidente palestino, Mahmoud Abbas, de que antes Israel deve cessar a colonização em toda Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

Em comunicado de condenação, o enviado especial da ONU para o Oriente Médio, Robert Serry, classificou a decisão israelense como "deplorável" e disse que a medida "nos afasta ainda mais do objetivo de dois Estados".

Também lembra a postura exposta pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante sua recente visita à região, quando afirmou que "a atividade nos assentamentos é ilegal" e "contrária às obrigações de Israel no plano de paz", no qual se determinam as condições fundamentais de um processo negociador entre as partes.

Com AFP e EFE

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