Plano de construir moradias na colônia de Pisgat Zeev deve atrapalhar esforços dos EUA por retomada de negociação no Oriente Médio

O Ministério do Interior israelense anunciou nesta quarta-feira a aprovação da construção de 625 casas na colônia judia de Pisgat Zeev em Jerusalém Oriental, a parte árabe da cidade. A proposta de foi apresentada há dois anos e aprovada na semana passada, segundo a Rádio Israel.

A decisão deve atrapalhar os esforços dos EUA pela retomada do processo de paz no Oriente Médio, que foi relançado em 2 de setembro, mas paralisado semanas depois devido à recusa israelense em prorrogar a moratória na construção de casas para colonos judeus na Cisjordânia.

Em novembro, o anúncio de que Israel construiria mais 1.300 moradias em Jerusalém Oriental provocou críticas de Estados Unidos, União Europeia e ONU. Israel insiste que as áreas urbanas anexadas depois da conquista de 1967 nunca estiveram incluídas nessa moratória. Mas a anexação de partes da Cisjordânia ao território israelense nunca foi reconhecida pela comunidade internacional.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou a moratória para atrair os palestinos para as negociações diretas, mas acabou cedendo à pressão de aliados políticos seus, ligados aos colonos, para que a moratória não fosse renovada.

Israel afirma que a questão dos assentamentos judaicos deveria ser resolvida em meio às discussões sobre as futuras fronteiras, e não como uma pré-condição para as negociações. Os palestinos argumentam que a ampliação dos assentamentos lhes priva das condições para estabelecer um Estado viável, com território contíguo.

Culpado

Para o negociador palestino, os Estados Unidos deveriam atribuir abertamente a Israel a culpa pelo "colapso" do processo de paz. Para ele, a autorização israelense para a construção de novas casas  mostra que o governo de Benjamin Netanyahu não deseja a retomada do processo de paz, segundo os palestinos.

"É hora de o governo americano dizer ao mundo que Israel tem a responsabilidade pelo colapso deste processo de paz", disse à Reuters o negociador-chefe palestino Saeb Erekat. "Israel escolheu os assentamentos, e não a paz."

Os EUA promoveram em setembro a retomada das negociações diretas entre israelenses e palestinos, após um hiato de dois anos. Mas o processo foi abandonado semanas depois, num protesto dos palestinos pela não-prorrogação de uma moratória israelense na construção de novas casas em assentamentos judaicos em territórios ocupados.

Israel argumenta que a questão da moratória dos assentamentos deve ser incluída na pauta de discussões, e não ser tratada como uma pré-condição. Netanyahu sofreu pressão dos EUA para manter a moratória, mas acabou cedendo aos interesses de aliados políticos internos que são ligados aos colonos.

*Com Reuters

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