Israel aprova construção de 1,6 mil casas em Jerusalém Oriental

Ministro do Interior dá aprovação final a projeto que, no ano passado, causou distanciamento entre Washington e Israel

iG São Paulo |

O ministro do Interior israelense deu a aprovação final para um plano de construção de 1,6 mil casas em Jerusalém Oriental, apesar de a divulgação do projeto no ano passado, durante uma visita do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, ter causado um distanciamento diplomático de Washington.

Além disso, espera-se a aprovação final para a construção de outras 2,7 mil casas, sendo 700 previstas para a colônia de Pisgat Ze'ev e outras 2 mil na de Givat Hamatos.

Reuters
Judeu ultraortodoxo caminha em Ramat Shlomo, assentamento judaico em área da Cisjordânia anexada por Israel
A divulgação oficial nesta quinta-feira da aprovação dada pelo ministro do Interior israelense, Eli Yishai, poderia pesar nos esforços liderados pelos EUA em dissuadir os palestinos de buscar o reconhecimento da Organização das Nações Unidas para um Estado palestino. Os palestinos já suspenderam os diálogos de paz por conta da construção de assentamentos israelenses.

A aprovação inicial para as 1,6 mil unidades residenciais em Ramat Shlomo, uma colônia judaica em uma área na Cisjordânia anexada a Jerusalém por Israel, foi concedida em março de 2010 e lançou uma sombra sobre a visita de Biden, ressaltando as divergências entre Israel e os EUA sobre a construção.

Na época, Biden condenou o plano israelense, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em raros comentários ásperos, disse que o ato era um insulto. O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, disse que lamentava que a decisão tivesse sido anunciada em momento inoportuno, mas rejeitou as críticas contra os assentamentos em Jerusalém e nos arredores da cidade.

Os palestinos querem Jerusalém Oriental como a capital do Estado que esperam fundar na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Israel considera toda a Jerusalém como sua capital - estatuto não reconhecido no exterior. Israel desistiu de Gaza em 2005, mas ainda rejeita a reivindicação palestina sobre todo o território da Cisjordânia.

O Ministério de Moradia de Israel não respondeu imediatamente nesta quinta-feira a um pedido para o cronograma da construção em Ramat Shlomo.

Segundo Israel, a construção começaria apenas dentro de alguns anos. Mas o país agora enfrenta crescentes protestos por moradias mais baratas, aumentando especulações de que alguns projetos de assentamento poderiam ser acelerados.

Cerca de 500 mil judeus vivem na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, áreas capturadas por Israel na guerra de 1967. Cerca de 2,5 milhões de palestinos vivem no mesmo território.

Reação palestina

Saeb Erekat, o chefe negociador da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), condenou nesta quinta-feira a aprovação da construção de novas casas para judeus no território palestino ocupado de Jerusalém Oriental. "Israel considera-se um Estado acima da lei internacional, sem obrigação de prestar contas", disse Erekat em comunicado.

O chefe negociador da OLP considerou o anúncio das novas construções "um ataque à legitimidade internacional e à possibilidade de chegar a uma solução de dois Estados", assim como "uma prova a mais de que o governo israelense está comprometido a investir na ocupação, em vez da paz".

A OLP indica no documento que os assentamentos são ilegais sob a legislação internacional e humanitária e seu crescimento é vedado pelo Mapa de Caminho (2003), além de representar um obstáculo para a paz que poderia tornar inviável a possibilidade de existir um Estado palestino.

*Com Reuters e EFE

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