Israel aprova construção de 1.300 casas em Jerusalém Oriental

Construções, que dizem respeito às primeiras licitações desde o fim da moratória, podem complicar visita de Netanyahu aos EUA

iG São Paulo |

O governo israelense aprovou a construção de mais de 1.300 novas moradias em Jerusalém Oriental, onde a maioria dos moradores é palestina, conforme denunciou nesta segunda-feira a organização israelense anticolonização Paz Agora.

"Há três novos planos que serão publicados para licitação pública", disse Haigt Ofran, porta-voz da organização não-governamental, que classificou a decisão de "grande provocação".

Segundo Ofran, a grande maioria das novas construções está situada no bairro de colonização judaica de Har Homa, onde vivem mais de 7 mil habitantes.

O anúncio ocorre em meio à crise do processo de paz e durante a visita do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aos Estados Unidos, para discutir caminhos que possibilitem a retomada das negociações.

Os planos incluem 983 novas moradias em uma área de Har Homa e outras 42 que serão construídas em uma zona próxima a Belém. Também há planos para a construção de 320 unidades em Ramot, no norte.

As novas construções dizem respeito às primeiras licitações desde o fim da moratória de dez meses para as construções, que expirou no dia 26 de setembro.

Diálogo

Em visita aos Emirados Árabes Unidos, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, disse que só voltará à mesa de negociações se os israelenses suspenderem todas as construções civis em territórios ocupados.  “O governo de Israel tem de escolher entre construir e a paz. Não pode ter os dois”, ressaltou. 

Ele disse ainda que caso seu pedido não seja acatado, ele pedirá aos Estados Unidos que apresentem uma solução para a retomada do processo de paz.

Para o negociador palestino Saeb Erakat acusou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de estar "determinado a destruir as negociações", com a a aprovação por seu governo de um plano de construção de novas colônias em Jerusalém Oriental.

"Esperávamos que Netanyahu tivesse ido aos Estados Unidos para deter a colonização e retomar as negociações, mas para nós está claro que Netanyahu está determinado a destruir as negociações. Fecharam-se todas as portas para um diálogo e o responsabilizamos por isso", afirmou Erakat.

'Rotina'

O Ministério do Interior de Israel, que controla a comissão de planejamento, anunciou que "trata-se de um procedimento de rotina".

Washington se opõe a construções israelenses em Jerusalém Oriental e já deixou clara sua posição juntamente a Israel. Os palestinos também já disseram que o fim da construção é prerrogativa para a retomada do processo de paz no Oriente Médio.

A expectativa é que o líder de Israel discuta com o vice-presidente Joe Biden e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, formas de retomar as negociações de paz, que ficaram suspensas há cerca de três semanas por causa da disputa sobre a construção de assentamentos israelenses. Netanyahu não se encontrará com o presidente Barack Obama, que desde sábado realiza uma viagem de dez dias pela Ásia.

*Com reportagem de Nahum Sirotsky, de Israel

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