Israel, ANP e Quarteto de Madri realizarão conferência sobre acordo de paz

Jerusalém, 2 out (EFE).- Israel, Autoridade Nacional Palestina (ANP) e Quarteto de Madri - formado por Estados Unidos, União Européia (UE), ONU e Rússia - realizarão em novembro uma conferência para redigir um documento sobre os avanços das negociações de paz.

EFE |

"Será um resumo oficial, sem assinaturas, mas que ficará sob responsabilidade dos membros do Quarteto de Madri", declarou hoje à Agência Efe uma fonte diplomática de Israel.

O documento, que não é um acordo propriamente dito, representará as posturas oficiais de Israel e da ANP no processo de paz iniciado na conferência de Annapolis (EUA) em 2007.

Será a primeira vez que as duas partes vão expor claramente suas concessões, o que no futuro, caso o processo seja interrompido, poderá servir de ponto de partida.

A fórmula foi proposta por Israel como saída para os atrasos no diálogo e à insistência da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, para que se firme um acordo antes de o presidente George W. Bush deixar a Casa Branca, objetivo estabelecido em Annapolis.

Israel, em processo de mudança de Governo após a renúncia do primeiro-ministro, Ehud Olmert, alegou a Washington que um acordo levaria cada parte a endurecer suas posturas para não dar a impressão de que fazem muitas concessões e que uma declaração de princípio se transformaria em obstáculo.

Por isto, propôs um mecanismo mais flexível por meio do qual o Quarteto tenha constância, pela primeira vez, do que está ocorrendo nas negociações, para que possa decidir seus passos neste momento crítico.

"Até agora, as conversas se baseavam no fato de Israel e ANP não revelarem seus progressos. Cada vez que vinha alguma autoridade a mesma era informada apenas em linhas gerais", declarou a fonte.

Acrescentou que "em seu último encontro em Nova York, em setembro, o Quarteto decidiu realizar uma nova reunião, que poderá ser em novembro, no Egito, para que tudo seja informado de forma exata, com documentos e analistas".

O Quarteto deve decidir se continua trabalhando para conseguir uma solução para o conflito entre palestinos e israelenses de acordo com o prazo de Annapolis ou se espera o novo presidente chegar à Casa Branca.

Fontes palestinas próximas às negociações não confirmaram nem a realização do encontro nem a redação de um documento oficial.

"A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) não desmente a informação. Nós sempre falamos que haveria uma reunião ao final do prazo fixado em Annapolis", disseram à Efe as fontes.

No entanto, ressaltam que, caso esta reunião aconteça, "não significa" que as partes estejam dispostas a "assinar algum acordo parcial, como uma declaração de princípios".

A parte palestina tem a postura de não estipular nada até que tudo esteja certo, medida também adotada por Israel.

No entanto, a alta fonte diplomática israelense afirmou que seu país não vê problemas em descrever o que foi conseguido até hoje e o presidente de Israel, Shimon Peres, se comprometeu a isto na reunião do Quarteto em Nova York.

Participariam de tal reunião no Egito os ministros de Relações Exteriores do Quarteto, e não se descarta a possibilidade de Tzipi Livni, que hoje é ministra de Exteriores de Israel, participar já como primeira-ministra. EFE elb/fh/fal

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