Israel ameaçado de crise política após as legislativas

O risco de uma crise política se perfilava nesta segunda-feira em Israel às vésperas das eleições legislativas, após campanha eleitoral marcada pela subida espetacular da extrema-direita e uma taxa de indecisos particularmente elevada.

AFP |

Se todas as pesquisas prometem vitória à atual oposição de direita, sua principal força componente, o Likud dirigido por Benjamin Netanyahu, não tem garantida a chegada na frente do partido Kadima, da ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni.

O Likud e o Kadima (centro-direita) estariam lado a lado, enquanto o partido de extrema-direita laico, Israel Beiteinou, de Avigdor Lieberman, estaria em terceiro lugar, à frente do Partido Tranalhista (centro-esquerda) do ministro da Defesa Ehud Barak.

Ao Likud e ao Kadima são creditados 25 mandados cada um, num total de 120, enquanto que Lieberman os seguiria com cerca de 20.

Qualquer que seja o caso, a extrema-direita aliada aos partidos religiosos está em posição de força, podendo tornar-se a pedra angular de um futuro governo, esteja Netanyahu na cabeça - hipótese mais provável - ou Livni realize uma aliança com ela.

Netanyahu afirma querer dirigir um "governo de união nacional o mais amplo possível", para não se tornar refém da extrema-direita, face a um novo governo americano menos inclinado a dar um cheque em branco a Israel.

"Um governo restrito (de direita) não estaria em medida de enfrentar os desafios representados pela ameaça de um Irã nuclear, pelo Hamas, com seus lançamentos de foguetes e pela crise econômica," advertiu ele na noite de domingo.

Segundo Netanyahu, uma vitória apertada do Likud "levaria a um impasse político e a eleições antecipadas em 18 meses".

Mas não se dissociou das posições de Lieberman.

"Nunca na história de Israel tantas pessoas não sabem como votar a 24 horas do pleito", revela o jornal Yediot Aharonot. Estima que "o establishment político demonstrou que não está à altura dos desafios que Israel terá que enfrentar", por ter feito da segurança o tema central das eleições, sem tomar posição sobre questões também cruciais como uma solução de paz com os palestinos e as fronteiras do Estado.

O presidente israelense Shimon Peres declarou-se nesta segunda-feira preocupado com a hostilidade à comunidade árabe durante a campanha eleitoral.

"Enquanto chefe de Estado, preocupo-me com as incitações à violência contra uma parte da opinião. Os árabes, como todos os cidadãos do país, têm direitos e deveres legais", declarou.

Ao final do escrutínio, Peres deverá realizar consultas com líderes de diferentes partidos na Knesset, Parlamento, para designar o mais apto, segundo ele, a formar a próxima coalizão de governo.

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