Israel ameaça Grã-Bretanha após ordem de prisão contra Livni

Israel ameaçou nesta terça-feira afastar a Grã-Bretanha do processo de paz no Oriente Médio caso o governo de Londres não adote medidas para impedir que altos dirigentes israelenses sejam perseguidos pela Justiça britânica.

AFP |

A ameaça ocorre após um tribunal britânico expedir um mandado de prisão contra a ex-chanceler israelense Tzipi Livni, por seu papel na ofensiva militar do ano passado contra a Faixa de Gaza.

Livni, que dirige atualmente o partido de oposição Kadima, cancelou uma visita que faria a Londres no próximo fim de semana alegando "problemas de agenda", mas segundo a imprensa de Israel, a decisão foi tomada após a decisão do tribunal britânico.

Segundo um juíz britânico, Livni tem responsabilidade na operação iniciada no fim de 2008 pelo Exército hebreu contra a Faixa de Gaza, que pretendia acabar com os disparos de foguetes contra o território israelense e provocou a morte de 1.400 palestinos, incluindo mulheres e crianças.

Livni disse hoje que assume a "responsabilidade pelas decisões tomadas durante a operação, que atingiu seus objetivos de proteger a população do sul de Israel e restaurar o poder de dissuasão" do Estado hebreu.

A advertência contra o governo britânico foi lançada pelo ministério israelense das Relações Exteriores após a decisão de Livni de cancelar a visita.

O gabinete de Benjamin Netanyahu comunicou que o primeiro-ministro considera o incidente "extremamente grave".

"Não aceitamos que os comandantes e os soldados do Tsahal (Exército) que defenderam nossos cidadãos heroicamente e com ética contra um inimigo brutal sejam considerados criminosos de guerra", declarou Netanyahu. "Rejeitamos completamente este absurdo".

A chancelaria israelense exortou o governo de Londres "a respeitar, de uma vez por todas, seu compromisso de agir contra a influência no sistema judiciário britânico de elementos antiisraelenses".

"Se os líderes israelenses não puderem visitar a Grã-Bretanha normalmente, isto constituirá um obstáculo à vontade de Londres de desempenhar um papel ativo no processo de paz no Oriente Médio".

Em outubro passado, o vice-premier israelense Moshe Yaalon desistiu de viajar a Londres devido à ameaça de ser processado por "crimes de guerra" por sua atuação como chefe do Estado-Maior do Exército entre 2002 e 2005.

jlr/LR/sd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG