Israel ameaça ampliar ofensiva contra Gaza; apesar de esforços diplomáticos

Israel ameaçou neste sábado intensificar sua ofensiva militar na Faixa de Gaza, no início da terceira semana de ataques, no momento em que os contatos diplomáticos se intensificam no Cairo visando um cessar-fogo imediato, como pede o Conselho de Segurança da ONU.

AFP |

O Estado hebreu, que ignorou a resolução do Conselho de Segurança pedindo um cessar-fogo, realizou novos ataques hoje contra o território controlado pelo movimento islâmico Hamas, após uma série de raids aéreos noturnos.

A aviação israelense também lançou neste sábado milhares de panfletos na cidade de Gaza avisando à população que intensificará suas operações no território palestino.

"O Exército intensificará suas operações contra os túneis, os arsenais e os terroristas em toda a Faixa de Gaza", diz o texto, escrito em árabe.

"Para a segurança de vocês e a segurança de suas famílias, pedimos que não se aproximem dos terroristas, dos arsenais e das armas", acrescenta.

A ministra israelense das Relações Exteriores, Tzipi Livni, disse hoje que não há uma data para o fim da ofensiva, já que primeiro se deve alcançar os objetivos fixados.

"Não queremos ocupar Gaza novamente, mas precisamos atingir nossos objetivos", destacou Livni, garantindo que a ação vai prosseguir até que o Hamas seja desarticulado.

"No final das contas, trata-se de uma guerra contra o terrorismo. Não pedimos à comunidade internacional que se una a nossa luta, mas pedimos que nos entenda e nos dê tempo", destacou Livni.

Segundo um alto oficial israelense, o Exérciro hebreu já matou mais de 550 combatentes palestinos em seus ataques aéreos e terrestres contra a Faixa de Gaza.

O Hamas também descartou a resolução da ONU e novos foguetes disparados da Faixa de Gaza caíram neste sábado no sul de Israel, pois o Exército israelense não conseguiu pôr fim aos tiros, principal objetivo declarado de sua ofensiva.

O presidente americano, George W. Bush, disse hoje que um cessar-fogo duradouro em Gaza requer o fim dos tiros de foguetes do Hamas sobre Israel e do contrabando de armas para o grupo radical palestino.

No ataque mais sangrento deste sábado, oito membros de uma mesma família, incluindo um menino de 12 anos, morreram em um bombardeio contra Jabaliya, no norte da Faixa de Gaza, segundo uma fonte médica palestina.

No total, 28 pessoas morreram neste sábado na Faixa de Gaza, especialmente no norte do território, afirmou o chefe dos serviços de emergência palestinos, Mouawiya Hassanein.

Segundo Hassanein, o número de mortos na ofensiva israelense aumentou consideravelmente neste sábado, chegando a 854 com os últimos bombardeios e o achado de alguns corpos em meio a escombros.

Entre os mortos pela ação aérea e terrestre do Exército hebreu há 270 crianças, destacou Hassanein, acrescentando que os ataques deixaram ainda 3.490 feridos.

O boletim precedente informava 828 mortos e 3.350 feridos.

No lado israelense, três civis e 10 soldados foram mortos desde o início da operação "Chumbo grosso", segundo o Exército.

O Exército hebreu afirmou ter atacado "mais de quarenta" alvos na noite em Gaza, principalmente locais de lançamento de foguetes e de túneis de contrabando na fronteira entre Gaza e o Egito.

A Agência da ONU para ajuda aos refugiados palestinos (Unrwa) anunciou a retomada total da distribuição da ajuda humanitária, parcialmente suspensa na quinta-feira, depois de ter recebido "garantias críveis de segurança para seu pessoal".

Em Gaza, um milhão de pessoas estão sem energia elétrica, 750.000 estão sem água e os hospitais funcionam com geradores que podem parar a qualquer momento por falta de carburante, segundo a ONU.

A decisão de continuar a guerra foi tomada sexta-feira pelo gabinete de segurança israelense, porque o primeiro-ministro Ehud Olmert considerou a resolução da ONU inaplicável.

O primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, condenou esta decisão e pediu à comunidade internacional que exerça uma real pressão sobre Israel para obrigá-lo a aplicar a resolução da ONU.

Apesar de a resolução da ONU ter ficado no papel, a diplomacia mantém seus esforços para acabar com a guerra, em particular no Cairo, onde uma delegação do Hamas deve informar às autoridades egípcias sobre suas ressalvas à iniciativa de solução para a crise do presidente Hosni Mubarak.

Mubarak propôs um plano de "cessar-fogo imediato por tempo limitado, para o estabelecimento de corredores humanitários e para dar tempo ao Egito de trabalhar para um cessar-fogo global e definitivo".

O presidente palestino, Mahmud Abbas, que não exerce nenhum controle na Faixa de Gaza, de onde ele foi expulso pelo Hamas em junho de 2007, está neste sábado no Egito.

Em entrevista à imprensa, ele disse que a iniciativa egípcia é "um mecanismo para a aplicação da resolução da ONU".

"Se as diferentes partes aceitarem, a agressão acabará. O que não aceitá-la será responsável pela continuidade da agressão e do derramamento de sangue", declarou.

Ele pediu ao Hamas que aceite "sem hesitação" o plano egípcio. "A situação não nos permite perder tempo", disse.

O emissário israelense Amos Gilad deve voltar ao Cairo na segunda ou terça-feira para discutir o plano egípcio, segundo a imprensa israelense.

A Alta comissária da ONU para os direitos humanos, Navi Pillay, denunciou as "muito graves violações dos direitos humanos em Gaza", que podem segundo ela constituir "crimes de guerra".

Em Washington, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, considerou difícil para Israel poupar civis numa zona densamente povoada e acusou o Hamas de utilizá-los como escudos humanos.

afp/lm/LR

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG