JERUSALÉM (Reuters) - Israel disse na quinta-feira que a disposição do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, para dialogar com o Irã pode ser vista pelo Oriente Médio como um sinal de fraqueza. Vivemos em uma região na qual, às vezes, o diálogo --em uma situação em que você já aplicou sanções e depois muda para o diálogo-- pode ser interpretado como sinal de fraqueza, disse a ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, quando questionada por uma rádio sobre a mudança de política em relação ao Irã no governo de Obama.

Livni foi a primeira pessoa importante do governo israelense a fazer comentários dissonantes sobre Obama desde a vitória do democrata nas eleições norte-americanas, na terça-feira.

Questionada se apóia ao diálogo entre Estados Unidos e Irã, Livni afirmou: "a resposta é não".

Livni, que lidera o partido centrista Kadima para as eleições parlamentares de 10 de fevereiro, também disse que "o cerne da questão" é que os Estados Unidos, sob o comando de Obama, "também não estão dispostos a aceitar um Irã nuclear".

Obama disse que endurecer as sanções aplicadas ao Irã, mas não descartou a possibilidade de dialogar diretamente com os adversários dos Estados Unidos para resolver impasses como as ambições nucleares iranianas.

O Ocidente acredita que o programa de enriquecimento de urânio no Irã tem objetivo de desenvolver bombas atômicas, acusação que Teerã nega.

Israel, provavelmente o único país a ter um arsenal atômico no Oriente Médio, disse que o programa nuclear iraniano é uma ameaça à sua existência e que considera todas as opções (inclusive a força) para conter o rival.

(Por Jeffrey Heller)

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