Israel ainda não decidiu sobre ação militar contra Irã, diz ministro

Titular da Defesa faz afirmação um dia antes de agência nuclear da ONU divulgar relatório sobre avanço de programa nuclear do Irã

Reuters |

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, rejeitou nesta terça-feira especulações de que Israel pretenda atacar instalações nucleares do Irã , afirmando que o país não decidiu embarcar em nenhuma operação militar.

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"A guerra não é um piquenique. Nós queremos um piquenique. Não queremos uma guerra", disse Barak à Rádio Israel, num momento em que se aguarda nesta semana um relatório da Agência Internacional de Energia Nuclear (AIEA) sobre a atividade nuclear iraniana.

"(Israel) ainda não decidiu embarcar em nenhuma operação militar", afirmou Barak, refutando especulações da mídia israelense de que ele e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu haviam tomado a decisão sobre o ataque.

Apesar da declaração, Barak afirmou, porém, que Israel tem de se preparar para "situações desconfortáveis" e assumir a responsabilidade pela própria segurança. Todas as opções para deter as ambições nucleares do Irã deveriam estar abertas, disse.

Relatório da AIEA

De acordo com a rede de TV CNN, o próximo relatório sobre o Irã da AIEA, que deve ser apresentado na quarta-feira aos Estados-membros da agência nuclear da ONU, afirmará que Teerã conseguiu "dominar os passos críticos necessários para desenvolver e construir uma arma nuclear".

Citando fontes diplomatas ocidentais que pediram anonimato, a rede americana afirma que o documento informará que o programa nuclear iraniano é "mais ambicioso e estruturado" do que se acreditava e "está focalizado na construção e teste de uma arma nuclear que possa se acoplar a um míssil de longo alcance". No entanto, não existem provas de que o Irã tenha tomado a decisão estratégica de começar a construir essa arma, ressaltaram.

O relatório também revela que o Irã não deteve a pesquisa armamentista nem o desenvolvimento tecnológico de seu programa nuclear em 2003, como pensavam até agora os serviços de inteligência dos EUA. "Em vez de frear, parece que o Irã fez uma pausa temporária nesse momento, mas o programa avançou a um ritmo mais lento desde então", indicaram os diplomatas.

"O programa nunca se deteve realmente", disse ao Washington Post o diretor do Instituto de Ciência e Segurança Internacional, David Albright, que foi inspetor de armas da ONU e teve a oportunidade de revisar o relatório. "Após 2003, foi investido dinheiro na pesquisa em áreas que parecem dedicadas às armas nucleares, mas estavam ocultas dentro de instituições civis", disse Albright.

Em sua coletiva diária, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou na segunda-feira que espera que o relatório "respalde as preocupações" já expressas por Washington, que denuncia há anos supostas pretensões militares encobertas do programa iraniano. "Podem estar seguros de que continuaremos trabalhando para pressionar o Irã, para isolá-lo", disse.

O relatório chega um mês depois de os EUA acusaram o Irã de orquestrar um complô frustrado para atacar a Embaixada de Israel em Washington e assassinar o embaixador saudita , Adel al-Jubeir.

Apesar da escalada de tensão entre ambos países, já que Teerã advertiu estar "preparado" para responder a um possível ataque militar , o governo de Barack Obama reiterou que não tem intenção de atacar o país persa, com o qual cortou suas relações diplomáticas em 1979. Nesse sentido, a Casa Branca espera que o relatório da AIEA sirva para que outros países aumentem suas sanções contra o regime de Mahmud Ahmadinejad.

Reação iraniana

Nesta terça-feira, o presidente iraniano disse que o Irã não precisa da bomba atômica para enfrentar Washington e seus aliados. "Os EUA, que possuem 5 mil bombas atômicas, acusam-nos sem pudor de fabricar a bomba atômica, mas devem saber que, para cortar a mão que estenderam sobre o mundo, não precisaremos da bomba atômica", disse Ahmadinejad.

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Foto de 26 de outubro de 2010 da usina nuclear iraniana de Bushehr
Por sua vez, o chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, afirmou em Yerevan (Armênia) que o Ocidente não tem nenhuma prova "séria" sobre a existência de um programa nuclear militar no Irã. "Não existe nenhuma prova séria de que o Irã esteja fabricando uma bomba nuclear", declarou Salehi, ao ser questionado sobre o relatório da AIEA.

"O Ocidente e os Estados Unidos exercem uma pressão sobre o Irã sem argumentos sérios nem provas", completou, antes de afirmar que o programa nuclear do país se transformou em um "problema político". "Não cansamos de repetir que não fabricaremos armas nucleares. Nossa postura sempre foi a de não utilizar nosso programa nuclear para objetivos que não sejam pacíficos", concluiu.

Em relação ao relatório, a Alemanha advertiu nesta terça-feira que a Europa preparará uma nova rodada de sanções se o documento da agência nuclear da ONU revelar o objetivo bélico do programa nuclear do Irã. "No caso de a situação registrar uma escalada, de o relatório confirmar que o Irã trabalha de novo nesse programa, prepararemos na Europa uma nova rodada de sanções", disse o ministro de Relações Exteriores alemão, Guido Westerwelle, em declarações à cadeia pública de televisão ZDF.

O chefe da diplomacia alemã rejeitou também a possibilidade de Israel lançar um ataque militar preventivo contra o Irã para destruir suas instalações atômicas. "Rejeito a ideia de colocar opções militares" e de alimentar debates perigosos para a região que "não fazem nada além de reforçar em vez de debilitar as autoridades iranianas", declarou Westerwelle ao jornal Hamburger Abendblatt.

Quanto às possíveis novas sanções contra o Irã, o chefe da diplomacia alemã não descarta que os europeus atuem unilateralmente se China e Rússia se opuserem a essas medidas no Conselho de Segurança da ONU.

*Com Reuters, EFE e AFP

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