Enrique Rubio Sharm el-Sheikh (Egito), 19 mai (EFE).- Israel ameaçou hoje adotar qualquer medida para frear os ataques com foguetes sobre as povoações próximas à Faixa de Gaza, controlada pelo grupo Hamas, e condicionou a trégua à libertação do soldado Gilad Shalit.

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, explicou aos jornalistas que seu país não descarta nenhuma opção para deter o lançamento de projéteis Katyusha sobre as cidades em torno de Gaza, após se reunir com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, no Fórum Econômico Mundial, realizado em Sharm el-Sheikh.

"Estamos decididos a devolver a segurança para nosso povo e cidades em torno da Faixa de Gaza com os meios necessários", afirmou o israelense.

As palavras de Barak representam um novo passo rumo ao diálogo, em um momento no qual algumas vozes em Israel pedem o fim da invasão de Gaza e dos ataques palestinos.

Em sua reunião de hoje, Mubarak apresentou a Barak a proposta de cessar-fogo promovida pelo Egito, já aceita pelo Hamas, mas o israelense voltou a condicionar sua aprovação à libertação de Shalit, em mãos de três milícias palestinas desde junho de 2006.

Se sob as circunstâncias atuais houver a possibilidade de proporcionar o "fim da violência, pensamos que isso deveria incluir colocar um fim no assunto do soldado seqüestrado Gilad Shalit", declarou Barak.

As palavras de Barak retomam o que o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, tinha dito ao negociador egípcio, Omar Suleiman, durante sua visita a Jerusalém, há uma semana.

"A libertação prévia de Gilad Shalit faz parte da resolução da situação na Faixa de Gaza", disse Olmert, e acrescentou que outro dos requisitos é que o Hamas e outras facções deixem de se armar e se fortalecer.

A iniciativa egípcia propõe decretar um cessar-fogo de seis meses em troca da retirada do bloqueio sobre Gaza e a reabertura das passagens fronteiriças, especialmente o de Rafah com o vizinho Egito.

No entanto, como contrapartida por libertar o israelense, o Hamas exige a libertação de mil dos 11 mil presos palestinos em prisões israelenses.

Até o momento, Israel rejeitou veementemente esta reivindicação, o que deixa as negociações em um ponto morto.

Em meio a esse cenário, uma delegação do Hamas partiu hoje para o Egito para se reunir amanhã com Suleiman, no que poderia ser a rodada final das negociações com a mediação do Governo egípcio.

O ex-ministro de Exteriores da Autoridade Nacional Palestina (ANP) Mahmoud Zahar e o chefe do grupo parlamentar do Hamas, Khalil al Haya, cruzaram o país vizinho através da passagem de Rafah, no sul de Gaza.

Enquanto isso, nas negociações paralelas entre a Autoridade Nacional Palestina e Israel para conseguir um acordo definitivo de paz, o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, apresentou uma atitude esperançosa em Sharm el-Sheikh, após participar do Fórum.

Questionado sobre as possibilidades de se chegar a um acordo antes do final de 2008, Fayyad disse a um grupo de jornalistas que "os requisitos para atingir o sucesso estão aí".

O palestino chamou a atenção sobre as obrigações do "Mapa de Caminho", especialmente as relativas à construção de assentamentos, que Israel não freou até o momento, apesar das numerosas solicitações internacionais para que o fizesse.

O processo de paz conseguiu atrair a atenção da segunda jornada do Fórum Econômico Mundial sobre o Oriente Médio (o equivalente do Fórum de Davos nesta região), que terminará amanhã. EFE er-jfu/bm/fb

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.