Israel adota sanções após admissão palestina na Unesco

Governo israelense ordena mais construções em Jerusalém Oriental e o congelamento temporário de recursos à Autoridade Palestina

iG São Paulo |

Israel anunciou nesta terça-feira que ordenou a aceleração das construções em Jerusalém Oriental, que é reivindicada pelos palestinos para seu futuro Estado, e em colônias vizinhas na Cisjordânia. Além disso, o governo israelense também congelará provisoriamente a transferência de recursos à Autoridade Nacional Palestina (ANP). As medidas foram anunciadas um dia depois de a ANP ter sido admitida como membro pleno da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

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AP
Em Paris, delegados aplaudem após votação que deu aos palestinos o status de membro pleno da Unesco (31/10)
Em uma declaração, a sede do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que 2 mil novos apartamentos seriam construídos. Apesar disso, a verdadeira construção levará anos por causa de planejamento e de procedimentos de permissão.

Uma autoridade israelense disse que a nova construção é uma respota às medidas unilaterais recentes dos palestinos, dando como exemplo a aceitação na Unesco - um órgão-chave da ONU. Em 23 de setembro, o presidente da ANP, Mahmud Abbas, pediu ao Conselho de Segurança da ONU o reconhecimento de um Estado palestino . A medida deve ser votada ainda neste mês. Depois da entrada na Unesco, os palestinos estudam os procedimentos de adesão a outras 16 agências da ONU .

"Essas medidas foram tomadas pelo fórum dos oito principais ministros sob a presidência do primeiro-ministro como sanção após a votação na Unesco", indicou uma fonte à AFP. "Construiremos 2 mil residências, incluindo 1.650 em Jerusalém, e o restante nos assentamentos de Maalé Adoumim e de Efrat (no sul de Belém, na Cisjordânia)", indicou.

Falando sob condição de anonimato, uma autoridade israelense ouvida pela EFE também mencionou como motivo para as medidas a recusa da ANP, controlada pelo partido laico Fatah (que domina o território da Cisjordânia), de condenar o lançamento de foguetes contra o sul de Israel a partir da Faixa de Gaza, território controlado pelo grupo islâmico Hamas. No fim de semana, retaliações israelenses ao disparo de foguetes deixaram 12 palestinos mortos . Um foguete causou a morte de um israelense em Ashkelon.

Os palestinos reivindicam o fim de todas as construções nos assentamentos israelenses antes de as negociações de paz serem retomadas. Israel rejeita isso como precondição, insistindo que a questão dos assentamentos será resolvida quando as fronteiras forem definidas durante as conversações.

Nabil Abu Rdeneh, um assessor de Abbas, condenou o projeto de habitação, afirmando que Israel "escolheu os assentamentos em vez da paz". "Acelerar a construção de colônias equivale a acelerar a destruição do processo de paz, e o congelamento dos fundos palestinos é um roubo do dinheiro do povo palestino", afirmou.

Congelamento de recursos

Além das construções, Israel reterá os impostos e as tarifas de importação e exportação que arrecada e repassa à ANP. De acordo com uma fonte oficial israelense, a medida tem caráter temporário até que se adote uma decisão final sobre a transferência dos fundos.

"Não se pode continuar pedindo que Israel se contenha quando a liderança palestina se negou a condenar o lançamento de foguetes de Gaza para Israel que mataram um civil israelense, quando Abu Mazen (apelido de Abbas) louva o sequestro de Gilad Shalit (soldado israelense) e diz que nunca reconhecerá o caráter judeu do Estado israelense", declarou o funcionário israelense.

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A fonte destacou que as medidas adotadas pelo Executivo israelense respondem a "rejeição palestina à retomada das negociações de paz e por comparecer aos organismos da ONU para tomar medidas unilaterais".

Escalada de tensão em Gaza

Também nesta terça-feira, Israel autorizou seu comando militar a tomar todos os passos necessários para parar o disparo de foguetes de Gaza, incluindo um operação terrestre, enquanto o Egito tenta trabalhar em uma trégua afirmando que Israel concordou em protelar o uso de mais força.

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Mulheres choram durante enterro de palestino morto em ataques de Israel na Faixa de Gaza (31/10)
A decisão do governo israelense eximiu-se de ordenar o envio de tanques ao território, e parece improvável que isso aconteça considerando que o disparo de foguetes quase parou no último dia. De acordo com a Associated Press, o governo autorizou o Exército a agir de acordo com a severidade dos ataques palestinos, o que indica que uma ação terrestre só seria ordenada depois de uma grande ataque com foguetes.

O embaixador do Egito para a ANP disse ter obtido uma promessa israelense de contenção enquanto houver esforços para persuadir os militantes palestinos a parar de lançar foguetes.

*Com EFE, AFP e AP

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