Israel admite ter documentos sobre bloqueio à Gaza

Jerusalém, 6 mai (EFE).- O Estado de Israel admitiu possuir quatro documentos sobre sua política de bloqueio à Gaza, um dos quais estabelece um mínimo nutricional para os habitantes da faixa.

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Jerusalém, 6 mai (EFE).- O Estado de Israel admitiu possuir quatro documentos sobre sua política de bloqueio à Gaza, um dos quais estabelece um mínimo nutricional para os habitantes da faixa. A existência dos relatórios foi negada pelo governo israelense durante meses, informou hoje a ONG Gisha. Israel se desculpa por ter respondido com "afirmações imprecisas" ao requerimento da organização israelense perante o Tribunal de Distrito de Tel Aviv para que desclassifique os documentos sobre sua política de bloqueio, precisou a Gisha. No entanto, o Governo do Estado Judeu se nega a desclassificar o material por medo de danificar a "segurança nacional e, inclusive, as relações exteriores de Israel". Os documentos são: "O procedimento de admissão de bens na Faixa de Gaza", "O procedimento de controle e avaliação do abastecimento na Faixa de Gaza", uma "Lista de produtos humanitários aprovados para admissão na Faixa de Gaza" e a apresentação "Necessidades alimentícias em Gaza - Linhas Vermelhas". O último texto marcaria um mínimo nutricional para a sobrevivência dos habitantes de Gaza, submetidos há quatro anos a um bloqueio feroz aplicado por Israel com a cooperação do Egito. O Governos israelense defende que as "linhas vermelhas" são apenas um "minuta" cujos "pontos principais não foram aceitos pelas autoridades e que nunca serviram de base para sua política". A Gisha acredita que este argumento não responde à pergunta de como Israel conseguiu responder ao risco de carências de bens em Gaza, como alega perante o tribunal, enquanto insiste que nenhum documento define as quantidades mínimas de alimentos e outros produtos básicos requeridos. Israel considera Gaza um "território inimigo" desde 2007 e só permite a entrada de bens de primeira necessidade na Faixa em quantidades suficientes apenas para evitar uma crise humanitária em grande escala. O resto dos produtos que chegam a Gaza a partir do Sinai egípcio através de centenas de túneis de contrabando. Cerca de 80% da população da Faixa depende da ajuda humanitária, Israel aponta em sua resposta ao tribunal que sua "conduta com relação à Gaza, incluindo as restrições na transferência de bens, é um dos pilares básicos nas medidas à disposição do Governo como parte do conflito armado que mantém com o Hamas", movimento muçulmano que controla esse território. Tamar Feldman, advogada da Gisha, questiona qual é a "relação entre as necessidades de segurança do país e a revelação de que Israel proíbe a entrada em Gaza de sálvia e gengibre, mas não a de canela". EFE ap/pb

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