Israel acusa Venezuela e Bolívia de vender urânio ao Irã

JERUSALÉM - A Venezuela e a Bolívia vendem urânio para o programa nuclear do Irã, segundo um relatório secreto do Ministério de Exteriores de Israel que foi elaborado por ocasião da próxima Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA).

EFE |

A imprensa local afirma que o documento, de três páginas, analisa as relações do Irã com a América Latina, e destaca que a Venezuela e a Bolívia "fornecem" urânio para o programa nuclear de Teerã.

O relatório acrescenta, como avaliação, que a intenção do presidente venezuelano, Hugo Chávez, com a venda do urânio é prejudicar a diplomacia americana em seus esforços de conseguir que o Irã submeta seu programa nuclear à supervisão internacional.

O Ocidente, assim como Israel, teme que o regime de Teerã esteja desenvolvendo armas nucleares, mas o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirma que o programa do país tem fins pacíficos.

Ontem, em entrevista coletiva em Teerã, o presidente iraniano insistiu em que seu país não negociará a interrupção do programa nuclear.

Oficialmente, o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores de Israel, Yigal Palmor, disse à Agência Efe que seu governo "não vai comentar o conteúdo do relatório", antes de se assegurar de que "é um vazamento que nunca deveria ter ocorrido".

"Não era nossa intenção que acontecesse (o vazamento), e lamentamos que o relatório tenha ido a público", disse.

Elaborado para o vice-ministro de Assuntos Exteriores israelense, Daniel Ayalon, que participará como observador da assembleia da OEA em San Pedro Sula, em Honduras, nas próximas terça e quarta-feira, o documento interno analisa a situação na América Latina e a crescente "penetração" do Irã em alguns países do continente.

"O Irã está tentando tomar posições na América Latina e, infelizmente, vemos uma cooperação muito próxima entre Ahmadinejad e o regime radical de Hugo Chávez, e isso é algo que deve preocupar todos nós", disse Ayalon, em entrevista à Agência Efe.

Sobre a suposta venda do urânio, o vice-ministro israelense destacou que "não estamos em posição de confirmar a informação que temos ou não temos", mas "vemos uma aliança estratégica entre Chávez e Ahmadinejad, e isso é algo muito perigoso", porque "prejudica a estabilidade não só no continente, mas também em todo o mundo".

Ayalon se remeteu a 1992 e 1994, aos atentados contra a embaixada israelense e a sede do grupo judaico Amia em Buenos Aires para ressaltar que o mundo foi então testemunha do tipo de atividade realizada por Irã e por "seus agentes" da milícia libanesa xiita do Hisbolá, na América Latina.

"Suponho que os países responsáveis não permitirão que continue esta aliança estratégia", disse o vice-ministro israelense, porque, "se não forem detidos, terão uma capacidade muito poderosa para promover o terrorismo e matar pessoas, como fizeram em Buenos Aires".

Na assembleia da OEA, Ayalon colocará a seus interlocutores latino-americanos vias de cooperação para frear a "evidente expansão" do Irã e do "terrorismo" como "fator desestabilizador".

"Gostaríamos de ver uma cooperação estratégica", disse, ao oferecer a cooperação de seu país para enfrentar qualquer propagação do terrorismo islâmico em suas diversas vertentes.

A existência do relatório vem à tona vários meses depois que Venezuela e Bolívia romperam relações diplomáticas com Israel, em protesto contra a ofensiva militar deste país na Faixa de Gaza iniciada em 27 de dezembro do ano passado.

No entanto, a deterioração em suas relações bilaterais se remonta a anos antes, e o Ministério de Exteriores israelense relaciona isso à progressiva aproximação de Caracas e La Paz a Teerã, e ao distanciamento entre os dois países latino-americanos e Washington.

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