Israel aceita trégua com Hamas e prossegue contatos indiretos com Síria

Israel se compromete a respeitar a partir de quinta-feira uma trégua na Faixa de Gaza com o grupo radical islâmico palestino Hamas, negociada com a mediação com o Egito, informou nesta quarta-feira o governo do Estado hebreu, um dia após o anúncio do prosseguimento dos contatos indiretos com a Síria.

AFP |

A trégua na Faixa de Gaza, com duração de seis meses segundo o Hamas, entrará em vigor na quinta-feira às 06h00 (00h00 de Brasília).

Além do fim dos disparos de foguetes palestinos ao sul de Israel e dos ataques israelenses contra Gaza, o acordo prevê o fim progressivo do bloqueio do Estado hebreu à Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas há quase de um ano.

"Israel aceitou as propostas egípcias e temos a sincera esperança de que a partir de quinta-feira a população do sul de Israel deixe de ser vítima dos constantes disparos de foguetes e morteiros dos terroristas da Faixa de Gaza", declarou à AFP Mark Regev, porta-voz do primeiro-ministro israelense Ehud Olmert.

Após meses de negociação, Hamas e Egito anunciaram na terça-feira que a trégua entraria em vigor na manhã de quinta-feira.

"Não daremos motivos a Israel para que viole a trégua", declarou à AFP o porta-voz do Hamas, Fawzi Bahrum, reagindo ao anúncio israelense.

Segundo a rádio pública israelense, o premier Ehud Olmert e o ministro da Defesa, Ehud Barak, tomaram a decisão na noite de terça-feira, após o regresso do Cairo do general da reserva Amos Gilad, conselheiro político do ministério da Defesa.

Barak se mostrou, contudo, cético, considerando que "é difícil saber quanto tempo vai durar a calma". Por sua vez, o general Yosi Beiditz, chefe do departamento de informação militar israelense, afirmou que o cessar-fogo será "temporário e frágil".

Por sua vez, a Jihad Islâmica, que regularmente reivindica disparos de foguetes contra o sul de Israel, procedentes da Faixa de Gaza, afirmou que não prejudicará a trégua.

"Apesar de nossas reservas sobre o acordo, nós não planejamos promover obstáculos e não tentaremos provocar seu fracasso, em nome da unidade palestina e para obter o fim do bloqueio", declarou o líder do grupo radical palestino à AFP, Nafez Azzam.

"Não assinamos nenhum documento mas manifestamos nosso acordo verbal ao Hamas e ao Egito", acrescentou.

Ao comentar as "reservas", Azzam criticou a não inclusão da Cisjordânia nos acordos, apesar do Egito ter prometido se esforçar para incluir o território no futuro.

Nesta quarta-feira, a Jihad Islâmica anunciou ter disparado "nove foguetes" contra a cidade israelense de Sderot, alvo regular de ataques palestinos.

Apesar do ceticismo em relação ao acordo, o fim da violência em Gaza, graças à mediação do Egito, se uniu aos esforços diplomáticos para reduzir a tensão na região.

Na terça-feira, o chanceler turco Ali Babacan anunciou que Israel e Síria prosseguirão com os contatos indiretos com a mediação de seu país.

Israel e Síria encerraram na noite de segunda-feira uma segunda rodada de discussões indiretas na Turquia, segundo o ministro.

"O mais importante é que fixamos as datas das duas próximas reuniões, no mês de julho", disse Babacan.

Sem querer provocar grandes esperanças, Babacan assinalou que a negociação entre Israel e Síria é "difícil", apesar de ser menos complicada que entre o Estado hebreu e os palestinos.

Com a mediação do Egito, em 22 de junho devem começar ainda as negociações sobre o destino do soldado israelense Gilad Shalit, capturado em junho de 2006 por grupos armados palestinos e preso desde então na Faixa de Gaza, segundo a imprensa israelense.

Em 26 de junho, representantes do Egito, da União Européia (UE), do Hamas e da Autoridade Palestina discutirão a reabertura da passagem de Rafah, entre Gaza e Egito, também segundo a imprensa.

chw-ezz-az/fb/fp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG