Islândia busca acordo para salvar economia

O governo da Islândia está buscando o apoio dos sindicatos para tentar estabilizar a economia do país, duramente afetada pela atual crise financeira. O governo está tentando convencer os sindicatos a repatriar uma parte significativa de seus fundos de pensão investidos no exterior.

BBC Brasil |

Além disso, os representantes dos trabalhadores estão recebendo pedidos para que concordem em conter os salários, apesar da inflação de 14%.

Em troca, os sindicatos querem que a Islândia se candidate para integrar a União Européia, uma medida que o país vem resistindo há décadas.

A Islândia tem sido duramente afetada pela atual crise financeira global. Na última década, o país passou de uma economia pequena baseada na pesca a um centro para bancos com estratégias agressivas e bens no estrangeiro e que valem o equivalente a nove vezes o PIB do país.

Na semana passada, o governo nacionalizou o terceiro maior banco do país, o Glitnir, o que provocou uma acelerada desvalorização da coroa islandesa - a moeda perdeu um quinto de seu valor em relação ao dólar até sexta-feira.

A nacionalização também levou as agências de classificação de risco a reduzir a nota do país, e muitos analistas dizem duvidar que a Islândia tenha condições de resgatar outros bancos também afetados pela crise.

Neste domintgo, há relatos de o governo estaria considerando injetar US$ 14 bilhões no sistema bancário.

Nacionalização
A nacionalização do Glitnir na semana passada só fez piorar o sentimento de incerteza nas ruas de Reykjavík.

São tempos difíceis para os islandeses. As taxas de juros estão por volta de 15%, e a inflação chega a 14%.

"Nós ficamos surpresos quando acordamos e ficamos sabendo na notícia sobre o Glitnir. Ninguém achava que iria piorar tanto", disse uma mulher do lado de fora de uma papelaria.

Também na semana passada, o segundo maior banco do país, o Landsbanki, foi forçado a vender alguns de seus bens.

Euro
A coroa islandesa, que já havia perdido mais de metade de seu valor desde o verão passado, perdeu mais 14% na semana passada.

O governo está dividido sobre se deve ou não simplesmente abandonar a moeda e adotar o euro.

Há um sentimento cada vez maior de que o país, com apenas 300 mil habitantes, é muito pequeno para lidar com a crise.

Mas o parlamentar Sigurdur Kristjanson, do partido governista, descorda.

"Eu acho que esse é o clima nesse momento de crise no setor bancário. Mas, no futuro, quando os problemas estiverem solucionados, as pessoas vão pensar de maneira diferente. Nós devemos defender a nossa moeda", afirmou.

A Europa chama
Mas os setores empresariais estão colocando cada vez mais pressão para que o governo tome medidas contra a atual turbulência.

"O atual tumulto coloca em evidência a necessidade que uma economia pequena e internacionalizada como a Islândia tem de se juntar a uma união monetária maior", diz Jon Sigurrdson, presidente da Ossur, empresa líder na fabricação de braços e pernas artificiais.

Em resposta às dificuldades do país, a empresa começou a oferecer a seus funcionários a opção de receber em euros ou dólares - efetivamente abandonando a coroa islandesa.

É uma decisão corajosa, mas outros empresários concordam com ele. Uma pesquisa da Câmara de Comércio realizada em janeiro mostrou que 63% defendem a adoção de uma outra moeda.

A opinião pública também está mudando. Pela primeira vez, uma pesquisa realizada em abril mostrou que a maioria dos entrevistados era a favor de integrar a União Européia.

Oposição
A oposição à integração européia vem, tradicionalmente, da indústria da pesca. Mas até mesmo nesse setor as opiniões estão mudando.

"A entrada na União Européia é o próximo passo. Nós temos que dar esse passo. A coroa não vale nada", diz o pescador Adal Hallonsson, de 22 anos.

O companheiro de trabalho dele, Sigbjorn, concorda.

"É só uma questão de tempo até que a gente se junte à União Européia. Mas nós temos de proteger as nossas águas de pescadores estrangeiros", diz.

Sigbjorn não é o único a pensar assim. Muitos políticos islandeses têm defendido a adoção do euro sem integrar a União Européia.

Mas Bruxelas já deixou claro que essa não é uma opção.

Além do debate em torno da moeda, há outros sinais de que o país vive tempos de crise.

Na semana passada, o presidente do banco central teria, segundo um jornal local, defendido a formação de um governo de união para lidar com a crise - seria o primeiro desde 1939.

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