Islamitas de 45 países discutem como aproximar correntes do Islã

Teerã, 4 mai (EFE).- Mais de 800 religiosos e intelectuais islâmicos de 45 países iniciaram hoje uma conferência no Irã destinada a estudar meios de conseguir uma aproximação entre os seguidores das diferentes correntes do Islã, especialmente a sunita e a xiita.

EFE |

A 21ª Conferência Internacional para a Unidade Islâmica, que durará dois dias, foi inaugurada por Hashemi Rafsanjani, ex-presidente iraniano e agora chefe do Conselho de Discernimento do Irã e da Assembléia de Especialistas.

Na sessão inaugural, Rafsanjani pediu aos seguidores das correntes sunita e xiita que adotem o diálogo como meio de solucionar os problemas do mundo islâmico, e evitar "ações como as que estão ocorrendo em países como Líbano, Afeganistão e Iraque".

Em declaração à televisão "Alalam" e à agência "Irna", ambas do Irã, Rafsanjani também considerou que os atentados suicidas "para assassinar muçulmanos representam um desvio do pensamento, que precisa ser regulado".

Ele denunciou o extremismo religioso, que considerou "um vírus que prejudica a unidade islâmica", e voltou a acusar a "arrogância mundial" de "estar por trás das crises vividas no mundo islâmico".

O iraniano também rejeitou as acusações dos Estados Unidos e de vários dirigentes iraquianos contra o regime xiita de Teerã, que é acusado de apoiar com armas as milícias radicais xiitas em atividade no Iraque.

"A tensão sectária e étnica no Iraque prejudica tanto a nós quanto ao povo iraquiano" e "o que quer a República Islâmica é que o povo iraquiano dirija por conta própria os assuntos de seu próprio país", disse Rafsanjani, que ainda qualificou de "ameaçadora" a presença militar americana no Iraque.

"Não devemos permitir que um país islâmico dependa de outro não muçulmano", disse o iraniano, que pediu a retirada das "tropas ocupantes" do Iraque.

A maioria dos mais de 70 milhões de habitantes do Irã são xiitas e muitos países islâmicos acusaram o regime de Teerã, nas duas décadas passadas, de tentar exportar os princípios da revolução xiita iraniana, de 1979, a seus vizinhos árabes.

O ex-presidente iraniano Mohamad Khatami disse neste sábado que a suposta ajuda da corrente conservadora do regime de Teerã a grupos extremistas ativos em outros países é uma "traição" ao Islã e à revolução iraniana.

Segundo a agência "Irna", além dos cerca de 800 sábios islâmicos que participam da conferência em Teerã, foram convidadas figuras islâmicas de países como Estados Unidos, França e Reino Unido. EFE rh/rr/an

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