Isabelita Perón alega que é espanhola para não ser extraditada para Argentina

Madri, 14 abr (EFE).- A defesa da ex-presidente argentina Isabelita Perón alegou hoje perante a Audiência Nacional da Espanha que a Justiça argentina não pode julgá-la por se tratar de uma cidadã espanhola e por causa de seu estado de saúde delicado.

EFE |

Durante a audiência realizada hoje na Audiência Nacional, o advogado de Isabelita se opôs à extradição da ex-presidente para a Argentina, por considerar que este país não possui jurisdição para processá-la, informaram fontes jurídicas.

O outro argumento da defesa contra a extradição é a idade avançada de Isabelita (77 anos) e o fato de seu estado de saúde ser desaconselhável para uma mudança para a Argentina, acrescentaram as fontes.

O promotor Pedro Rovira declarou ser favorável a que a ex-presidente argentina seja julgada em seu país, onde a Justiça emitiu dois pedidos paralelos de extradição.

Um deles responde à solicitação do juiz Héctor Acosta, da província de Mendoza, que acusa Isabelita do desaparecimento do militante político Héctor Fagetti e da prisão e tortura de Jorge Valentín Betón, em 1976.

O magistrado considera que estes acontecimentos foram autorizados por três decretos assinados em 1975 pelo Governo da ex-presidente que habilitaram as forças de segurança a "aniquilarem os elementos subversivos" da esquerda.

Fagetti foi visto pela última vez em 10 de março de 1976, pouco antes do golpe de Estado que derrubou a ex-presidente.

A solicitação de Acosta derivou da prisão de Isabelita em 12 de janeiro de 2007 em sua casa de Villanueva de la Cañada (perto de Madri), onde mora desde 1981 por ordem do juiz Juan del Olmo, que concedeu liberdade provisória à ex-presidente.

Duas semanas depois Olmo comunicou Isabelita sobre o segundo mandado de prisão contra ela em seu país, relacionada desta vez a sua suposta responsabilidade nos crimes da Aliança Anticomunista Argentina (AAA), a Triplo A, investigados pelo juiz Norberto Oyarbide.

Oyarbide investiga as atividades da Triplo A, organização à qual são atribuídos 1.500 atentados e assassinatos de opositores e militantes de esquerda entre 1973 e 1975.

A Audiência Nacional havia dado sinal verde em janeiro à extradição de Isabelita para a Argentina após considerar suficientes as garantias das autoridades argentinas de que se a reclamada fosse condenada a pena máxima a ser cumprida seria inferior à prisão perpétua. EFE nac/wr/fal

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