Irmãos Muçulmanos qualificam de injustas penas contra dirigentes

Cairo, 15 abr (EFE) - O segundo no comando do grupo islâmico egípcio Irmãos Muçulmanos, Mohammed Habib, qualificou de injustas as penas de prisão que um tribunal militar do Cairo emitiu hoje contra 25 dirigentes da organização.

EFE |

"Essas decisões judiciais são injustas e de uma estranheza extremada em todos os seus termos, já que são fundamentalmente de caráter político, e emitidas por um tribunal excepcional e militar, que não tem competência (para processar civis)", ressaltou Habib em comunicado divulgado no site do grupo.

O líder da irmandade reagiu desta forma depois que a Corte Marcial condenou hoje de manhã os 25 dirigentes a penas de entre três e dez anos de prisão por lavagem de dinheiro e pertencer à organização ilegal.

"Essas sentenças expressam o grau de severidade e violência com o qual atua o regime repressivo contra os Irmãos Muçulmanos, organização que segue uma estratégia pacífica e moderada", indicou Habib.

Em sua opinião, as condenações representam uma revanche pelo sucesso obtido pelo grupo nas eleições legislativas de 2005, nas quais conquistou um quinto das cadeiras da Câmara.

Nesse contexto, o dirigente indicou que as sentenças "não só têm o objetivo de castigar e marginalizar a irmandade da atuação política, mas também intimidar a população egípcia".

Habib advertiu ainda de que "as penas aumentarão a pressão e descontentamento na sociedade egípcia, gerada pela crise política, econômica e social, as quais o Governo fracassou em resolver".

O tribunal militar condenou o vice-secretário-geral do grupo e considerado terceiro no comando, Khairat al-Shater, e o empresário Hassan Malek, também dirigente dos Irmãos Muçulmanos, a sete anos de prisão, segundo fontes da segurança egípcia.

A Corte, cuja sentença é inapelável, ordenou também a apreensão dos bens dos condenados.

Além disso, cinco acusados foram condenados a cinco anos de prisão, 13 a três anos, e outros cinco, que se encontram fora do Egito e foram julgados à revelia, a dez anos.

O tribunal também absolveu 15 dos processados.

A sentença representa o último golpe das autoridades egípcias contra o principal grupo opositor do país, contra o qual o Governo lançou uma campanha legal e policial após as eleições de 2005.

Os Irmãos Muçulmanos foram proibidos em 1954 pelo então presidente egípcio Gamal Abdel Nasser.

No entanto, após a morte deste, em 1970, este grupo conservador foi tolerado e inclusive conseguiu concorrer às eleições sob o mandato de outros grupos políticos ou se apresentando como independentes. EFE aj/db

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