Cairo, 4 jun (EFE).- Um dos dirigentes do grupo opositor egípcio Irmãos Muçulmanos, Essam al-Arian, qualificou o discurso oferecido hoje ao mundo muçulmano pelo presidente americano, Barack Obama, de positivo, mas não muito equilibrado de todo.

Arian disse por telefone à Agência Efe que, em termos gerais, "o discurso foi positivo, mas Obama se negou a adotar uma postura em relação ao assunto palestino".

"Teve êxito em oferecer um panorama global dos assuntos importantes e falou de uma maneira influente, que atraiu a atenção de milhões de espectadores", disse Arian, cuja organização ainda não se pronunciou oficialmente em bloco sobre o discurso de Obama.

O destacado dirigente do grupo opositor mais influente no Egito acrescentou que, "se o objetivo principal de Obama era oferecer uma imagem diferente dos Estados Unidos, também teve êxito".

"A princípio, o discurso foi positivo, mas o medo é que não consiga aplicar o que disse", acrescentou Arian.

No entanto, o dirigente da organização islâmica criticou o presidente americano "porque não entende a profundidade do assunto palestino e sua importância para os árabes".

"Não falou dos palestinos tanto quanto fez com o Holocausto judeu", disse Arian.

O grupo dos Irmãos Muçulmanos, criado em 1928 e ilegalizado em 1954, tem 88 das 454 cadeiras no Parlamento egípcio, conseguidas nas eleições parlamentares de dezembro de 2005, às quais se apresentou com candidatos independentes.

Treze deputados deste grupo foram convidados pelos EUA ao discurso de Obama na Universidade do Cairo.

Também esteve presente no ato o ex-candidato presidencial da oposição Ayman Nouri, que se apresentou como adversário do presidente Hosni Mubarak nas últimas eleições presidenciais, em 2005. EFE hh/an

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.