Irmãos Muçulmanos dizem que discurso de Obama não devolverá direitos

Cairo, 6 jun (EFE).- O grupo opositor egípcio Irmãos Muçulmanos disse hoje que o discurso pronunciado no Cairo pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na última quinta-feira, faz parte de uma campanha de relações públicas que não devolverá os direitos perdidos pelo mundo islâmico.

EFE |

"As expressões amistosas e a retórica decente que Obama usou em seu discurso não alcançarão a justiça nem devolverão os direitos dos muçulmanos, seja na Palestina, Iraque, Afeganistão ou Paquistão, ou em outro país islâmico", ressalta a organização em comunicado.

Os Irmãos Muçulmanos são o grupo opositor mais influente no Egito. Criado em 1928 e ilegalizado em 1954, tem 88 das 454 cadeiras no Parlamento egípcio, obtidas nas eleições parlamentares de dezembro de 2005, nas quais se apresentou com candidatos independentes.

Além disso, acusam Obama de seguir o caminho de seus antecessores ao ter reafirmado a continuidade do respaldo dos EUA aos israelenses em território palestino.

Nesse sentido, indicaram que o não reconhecimento por parte de Obama "do direito da resistência palestina a lutar contra o israelense usurpador e equiparar o assassino com o assassinado confirma a política de dois pesos e duas medidas e a parcialidade ilimitada a favor de Israel".

A nota sustenta que o presidente dos Estados Unidos não levou em conta a ocupação israelense dos territórios palestinos, "a realização de massacres e de genocídio, e o asfixiante bloqueio imposto por Israel sobre a Faixa de Gaza".

De acordo com os Irmãos Muçulmanos, Obama "não tem o direito de criticar a resistência palestina por usar da violência e de pedir ao povo palestino que a rejeite e adote meios pacíficos que equivalem a uma rendição".

Além disso, o grupo criticou o presidente dos EUA ao dizer que este só se refere de "maneira superficial" e breve à promoção da democracia no mundo árabe e islâmico e não faz menção "às ditaduras e regimes corruptos e injustos que reprimem seus povos".

Os Irmãos Muçulmanos consideram que o discurso de Obama é "uma simples campanha de relações públicas para fazer perder oportunidades e tempo, e uma tentativa de melhorar a imagem dos EUA emporcalhada com a injustiça, a invasão, a agressão e o derramamento de sangue árabe e muçulmano". EFE aj/bba

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